O candidato Vieira deu um ar da sua graça. Finalmente.
Como eu declarei no post inicial deste blog, esta minha candidatura surgiu porque o não vislumbrava no horizonte. Agora que Manuel João avança, sinto a minha iniciativa presidencial algo esvaziada de sentido. Porque ele disputa o mesmo target que eu, e fá-lo de forma mais experiente, rodada e profissionalmente competente.
Mas não vou parar agora, apesar de tudo. Até o PCP já lançou o seu usual candidato-tempo-de-antena. Então eu também tenho direito ao regabofe.
E depois, este movimento unipessoal que eu justamente personifico visa também manifestar-se, fazer a minha voz ser ouvida. Já só tenho reduzidas hipóteses de ser eleito, agora que o candidato Vieira se apresenta ao sufrágio. Vou doravante sobretudo gritar o meu desapontamento pela performance do actual Presidente Cavaco Silva. Que no meu ver nem deveria ter ganho a primeira eleição que o pôs no cargo, quanto mais ser reeleito. Já basta.
Posto isto, vou enviar ao candidato Vieira a seguinte carta aberta, da qual passo a dar conecimento ao povo, reproduzindo o seu conteúdo a seguir:
"Caro candidato Vieira,
Apraz-me registar que mais uma vez o senhor resolve abarcar esse nobre desafio de se propôr conduzir os destinos desta nação valente.
Eu também me queria alambazar ao poder mas com o senhor na contenda, melhor será dar-lhe primazia. Rogo-lhe o seu perdão pelo meu atrevimento, mas não tinha antes ideia que o senhor também seria candidato.
De qualquer modo, se não se importar que eu possa assumir o papel neste acto de cidadania de ser o seu personal PCP candidate, e se lhe sobrarem p'rái umas 7.500 assinaturas a mais, poderá dispensar-mas, que eu depois pago-lhe, se fizer a fineza.
Ou então...
Façamos de modo diferente. Estou p'ráqui a matutar numa cena agora...
Pense comigo. Vamos arranjar um grupo de 7.500 mamborreiros elegíveis, tais como nós os dois. Vamos todos estes 7.500 peões de brega assinar uns pelos outros. Vamos assim desta feita criar 7.500 candidaturas interdependentes a Presidente da República em 2011. Vamos fazer o boletim de voto entrar para o Guiness.
Diga-me o que lhe apraz tecer como considerações acerca deste pacto de regime que aqui lhe ouso propor, por favor.
Cumprimentos democráticos deste seu incondicional apoiante
Giuseppe Pietrini
candidato a Presidente da República Portuguesa 2011"
sábado, 28 de agosto de 2010
sábado, 31 de julho de 2010
• Ar - i - esse - pi - i - ci - ti...
...find out what it means to me.
Also sprach Zarathrusta, perdão, eu queria dizer a boa da Aretha Franklin.
Como provavelmente já se aperceberam, leitores e eleitores, vai-se aqui falar de Respeito. Conceito antiquado e muito olvidado hoje. Em parte porque nos quiseram incutir durante muito tempo o "respeitinho".
Este último era-nos lembrado e exigido à lei da força e com força de lei por aqueles que nos governaram até à data da perda desse devido "respeitinho" por um grupo de militares subalternos num dia do mês de Abril, faz mais de 26 anos agora.
O "respeitinho" era a ser prestado a esses que nos governavam, tornado obrigatório por estes aos outros, os governados. Que tinham de respeitar não só as altas hierarquias mas toda e qualquer hierarquia. Qualquer dito "superior". E como em sistemas sociais podres, nem sempre os de maior mérito se tornam superiores dos seus pares, tinhamos assim de ter respeito por uma série de canalhas, imbecis, tolos e outros inadequados à sua posição. Só porque foram empurrados e subiram um degrau mais do que os outros na escala social. Bendito Abril que tornou isto muito menos provável de acontecer. E sobretudo muito mais passível de ser combatido.
Ainda bem que perdemos o "respeitinho". Pena que nessa embalagem tenhamos muitos de nós perdido também o respeito simples. O respeito pelo seu semelhante. Teremos todos de envidar agora esforços por nos respeitarmos todos mais uns aos outros.
Sugiro que comecemos por respeitar mais aqueles que nos servem e dos quais precisamos. A saber:
Respeitemos mais o bombeiro voluntário que dá o seu tempo por todos nós e não lhe exijamos mais do que este pode dar.
Respeitemos mais o funcionário público atrás do balcão que não está ali só para atender cada um de nós em exclusivo, como alguns facilmente esquecem, mas antes todos e não digamos nada de desagradável a este, mesmo que não estejamos satisfeitos pessoalmente com as suas acções, das quais esperávamos mais benefícios próprios inicialmente.
Respeitemos mais o empregado da cafetaria que não nos trouxe a meia de leite exactamente como nós desejávamos e tenhamos paciência. Da próxima vez teremos de ser mais explícitos na formulação do nosso pedido.
Respeitemos mais o assistente de call-center, que está a representar uma corporação mas que é, antes de mais, um simples nosso semelhante ser humano. Se queremos as nossas pretensões escutadas e atendidas por este, é inteligente não começar por ostensivamente hostilizar a corporação ou o ser humano. A resposta deste será sempre melhor assim.
Respeitemos mais o pároco da nossa freguesia e, na celebração do rito, saibamos comportarmo-nos dignamente e não permitamos que aqueles por quem somos responsáveis, os nossos petizes, adoptem comportamentos não condizentes com o local, ou seja, o templo. Eu sou ateu e em todo o templo em que adentro nada faço que possa perturbar a celebração da fé daqueles que a têm.
Respeitemos mais aqueles que fazem serviços de acompanhantes, pois estes ou estas não merecem o menosprezo que às vezes lhes devotamos. Merecem tão-só o mesmo respeito dado a todos por todos, pois são nossos iguais. E depois, todos nós nos prostituimos.
Respeitemos mais o agente da autoridade ou segurança que toma medidas para nos proteger, mesmo que essas medidas nos pareçam nesse instante contratempos.
Nestes 3 últimos exemplos englobei os 3 P's que a minha avózinha materna detestava: padres, putas e polícias. Grande senhora foi a minha avó, digo-vos, mas é preciso ser maior ainda e não rebaixar estas 3 categorias profissionais que também existem para nos servir.
Mas é preciso respeitar mais do aqueles que nos servem. É preciso respeitar aqueles que parecem à partida não merecer tanto o nosso respeito colectivo. Falo daqueles que, além de não nos servirem, nos pedem ainda que os sirvamos. Daqueles desafortunados de nós que nas ruas mendigam.
Acreditem: para nós é muito mais fácil dar do que para eles pedir. Se duvidam, experimentem um dia vestir a pele dum pedinte. Eu por mim, quando me pedem ajuda monetária, dou sempre uma moedinha. Nada me custa e nem à maior parte de nós custará fazer o mesmo, bem lá no fundo.
Nem quero saber se a dita moedinha irá ser usada para satisfazer um vício. Eu também tenho os meus vícios - todos temos - e se os deuses me permitem a fruição desses vícios, como vou eu negar que um semelhante meu, dependendo de mim circunstancialmente, possa gozar os seus?
Bom, mas se afinal nada quiserem ou poderem dar a uma mão estendida na vossa direcção, ao menos não virem a cara, não finjam que não vêem, não baixem os olhos. Nem ao menos uma palavra de conforto conseguem extraír do vosso egoísmo?
E por último, temos de voltar a respeitar aqueles que faz muito perderam totalmente o nosso social respeito. Aqui falo dos que nos governam. Não que ressuscitemos o antigo "respeitinho", nada disso. Mas antes que os respeitemos pelo tempo da sua vida que dedicam a todos nós e ao nosso bem-estar.
Deixemos de pensar que eles só querem é poleiro e encher-se à nossa custa, por favor. Isso não existe. Não é na coisa pública que mais se enriquece ou mais rapidamente o nosso património cresce. Isso é na iniciativa privada. Ou no crime de colarinho branco. Ou no BPN de há uns anitos atrás, onde estas duas áreas se conjugavam.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
• Não correu bem...
Lá demandei as Berlengas, como a mim próprio tinha prometido.
Mas a coisa não correu como eu esperava. O meu staff eleitoral não fez o TPC como deve ser e assim bati com o nariz na espessa porta de rija madeira do forte de São João Baptista.
Deviamos ter previamente contactado a Associação de Amigos das Berlengas, espécie de "okupas" que se afiambraram ao forte e só deixam entrar lá quem vá com a cara deles. E como os gajos são praticamente uns eremitas anti-sociais, tive o azar de me calhar em rifa um "mamborreiro" que nem me permitiu adentrar intramuros para saborear o que seria a vivência daquele pobre gente carente da luz que eu lhes queria aportar. Paciência!... Eles é que ficaram a perder, né? Digam "sim", se fazem favor!
Em topo disso, fui lá numa altura em que devia ser o auge da época de nidificação das respeitáveis gaivotas. Digo respeitáveis porque a sua posição num sobrevoar constante sobre nossas cabeças fragiliza-nos perante elas e, pelo sim pelo não, é sempre melhor não empreender gestos ou palavras que estas possam crer hostis a si. Senão, dirão elas, temos pena! Oh, desculpe, sujei-o?
Por palavras aqui não as atormentarei. E lá, por gestos não quis perturbar a sua paz do choco, mas inevitavelmente fi-lo. E elas não faziam cerimónia em demonstrar-me o seu desconforto com a minha humilde presença. Vá lá, vá lá, que foi só com o bico; não me pregaram nenhum "selo".
Ó míticas ilhas, agora que deixaram de ser esse mito em que eu era virgem, fiquem lá ao largo onde estão descansadas, que eu não porei meus pés tão cedo de novo em cima de vossas "esbranquiçadas" pedras.
A não ser que a Associação de Amigos das Berlengas queira emendar a mão e me dirija um convite.
Mas a coisa não correu como eu esperava. O meu staff eleitoral não fez o TPC como deve ser e assim bati com o nariz na espessa porta de rija madeira do forte de São João Baptista.
Deviamos ter previamente contactado a Associação de Amigos das Berlengas, espécie de "okupas" que se afiambraram ao forte e só deixam entrar lá quem vá com a cara deles. E como os gajos são praticamente uns eremitas anti-sociais, tive o azar de me calhar em rifa um "mamborreiro" que nem me permitiu adentrar intramuros para saborear o que seria a vivência daquele pobre gente carente da luz que eu lhes queria aportar. Paciência!... Eles é que ficaram a perder, né? Digam "sim", se fazem favor!
Em topo disso, fui lá numa altura em que devia ser o auge da época de nidificação das respeitáveis gaivotas. Digo respeitáveis porque a sua posição num sobrevoar constante sobre nossas cabeças fragiliza-nos perante elas e, pelo sim pelo não, é sempre melhor não empreender gestos ou palavras que estas possam crer hostis a si. Senão, dirão elas, temos pena! Oh, desculpe, sujei-o?
Por palavras aqui não as atormentarei. E lá, por gestos não quis perturbar a sua paz do choco, mas inevitavelmente fi-lo. E elas não faziam cerimónia em demonstrar-me o seu desconforto com a minha humilde presença. Vá lá, vá lá, que foi só com o bico; não me pregaram nenhum "selo".
Ó míticas ilhas, agora que deixaram de ser esse mito em que eu era virgem, fiquem lá ao largo onde estão descansadas, que eu não porei meus pés tão cedo de novo em cima de vossas "esbranquiçadas" pedras.
A não ser que a Associação de Amigos das Berlengas queira emendar a mão e me dirija um convite.
sábado, 1 de maio de 2010
• Populus vult decipi, ergo decipiatur
Ou em português corrente dos nossos dias, sem acordo ortográfico aplicado: "O povo quer ser enganado, enganemo-lo pois!". Pensamento ou dogma político mor que ainda hoje é professado por todos aqueles que nos governam, se estes forem sábios, claro. Julgo que esta frase foi originalmente proferida pelo senador ou tribuno romano Quintus Aurelius Stultus.
O autor deste blog, este vosso criado, que no futuro vos poderá servir no mais alto cargo da nação, irá cada vez mais ter em mente esta máxima. É que...
...Eu até me custa dizer isto, porque julgo difícil de acreditar. Cuidai, ó meus actuais leitores e futuros eleitores, que há quem me leve a sério. Há quem acredite que eu sou mesmo um vulgar candidato a Presidente da República Portuguesa, como os outros que já se perfilam por aí.
Tenho feito a natural divulgação deste blog nas denominadas Redes Sociais. Nos dias de hoje tem de ser. Já Obama o fez também, segundo dizem os cronistas. Inclusivé tenho-o feito nos sites mais improváveis para o fim proposto. Fim este que não é mais do que agitar as águas e as consciências cívicas. E o feedback que recebo é inimaginável.
Muitas pessoas acham que eu tenho propósitos políticos normais.
Que eu sou mesmo um homem político igual aos demais!...
Muitas pessoas acham que eu tenho propósitos políticos normais.
Que eu sou mesmo um homem político igual aos demais!...
Esta é a sagacidade do nosso povo português. Agora percebo porque o Cavaco é hoje Presidente de todos nós - e já agora, se eu escrevo aqui estas linhas é sobretudo por uma questão de tudo fazer para findar o ter de gramar com ele - e teve maiorias absolutas nas urnas.
Condimentei o meu penúltimo post com doses generosas de disparates, maiores do que o recomendado pelas normas da União Europeia. Para ver se as pessoas percebem agora.
Só me consigo lembrar daquela frase de Einstein em que ele envolvia o universo e a estupidez humana.
Condimentei o meu penúltimo post com doses generosas de disparates, maiores do que o recomendado pelas normas da União Europeia. Para ver se as pessoas percebem agora.
Só me consigo lembrar daquela frase de Einstein em que ele envolvia o universo e a estupidez humana.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
• Arranque da Pré-Campanha
Neste próximo mês de Maio, em que vamos ser visitados por Sua Santidade, o Papa Bento XVI, vou procurar desviar as atenções gerais do nosso povo com o arranque da minha pré-campanha eleitoral, rumo à vitória final.
Provavelmente no fim da segunda quinzena desse mês de Maria a caravana vai fazer-se à estrada. Ou melhor, ao mar.
Esta anunciada pré-campanha vai debutar nas Berlengas, essas míticas ilhas ao largo do não menos mítico Cabo Carvoeiro.
E porquê nas Berlengas? Porque tinha de se começar por um lugar qualquer. E este parece-me muito bem para um pontapé de saída. À uma, a população autóctone não é muito numerosa, logo o trabalho de "evangelização" das gentes para a minha causa não se me afigura difícil.
Segunda razão: temos de precaver o futuro. Embora pareça remota a hipótese de eu não ganhar a eleição presidencial do próximo ano, não se pode descurar que tal venha a acontecer. E então o plano B é este: exilar-me-ei voluntariamente lá, proclamarei unilateralmente a independência do arquipélago, far-me-ei governante máximo da novel nação atlântica, rebaptizá-la-ei RDA (r), ou seja República Democrática da Atlântida (renascida), venderei a concessão do farol da Berlenga Grande ao estado português e viveremos todos na ilha desse dinheiro, pelo menos inicialmente.
Mais tarde, depois dos assuntos económicos assentarem, desenvolverei alguns projectos plenos de empreendedorismo inovador. Como criar o primeiro estado naturista do mundo. Chega de territórios geograficamente restritos, como as praias de nudistas, para reproduzir a moderna versão do Paraíso do pai Adão e da mamãe Eva. Depois do achamento da Pindorama por Cabral, vai tornar a renascer um país inteiro em que o cidadão pode andar com as "vergonhas" à mostra.
Se me der para o torto, vou encarar esse eventual exílio como Bonaparte viu o seu em Sta. Helena. E com energias renovadas vou invadir Portugal e anexá-lo. Peniche em frente do meu futuro país sempre foi uma plataforma "macia" para uma Reconquista. Segundo o que reza a lenda dos famosos "amigos" daquela urbe.
Mas estou a perder-me em devaneios. Voltando ao assunto da pré-campanha, o meu quartel-general vai ser instalado no forte de São João Baptista, ilustrado na foto em baixo.
sábado, 13 de março de 2010
• Limpar Portugal
Afinal, a um candidato a Presidente da República que se preze impõe-se engajamento nas melhores iniciativas promovidas pela sociedade civil. E até Cavaco Silva já se predispôs a consultar a sua agenda para ver se tinha um "furo" onde encaixar algum tempo para dar uma mãozinha. O que só lhe ficaria bem. Outros houvera que o seguissem...
Se me quiserem acompanhar e aproveitarem para conhecer este vosso criado, que por vós labutará um dia em Belém, é só clicar aqui.
Venham daí, qu'isto até vai ser uma paródia valente, com uma malta porreira e danada p'rá brincadeira. Isto para pôr as coisas ditas na terminologia mais usual do nosso querido povo. Para vos incentivar, ó pessoas. E no fim até vamos praticar uma boa acção a nós mesmos.
Como no célebre slogan do "Rock in Rio", agora é que é caso para gritar, e com propósito: "Eu vou!".
segunda-feira, 8 de março de 2010
• Um dia feliz
sábado, 6 de março de 2010
• Parvoíces oníricas
Ele há coisas do caraças...Atão não é que uma noite ou duas depois de fundar este blog, visita-me em sonhos uma grande figura - tão grande quanto sinistra - da política da nossa República?
Eu à espera do meu estimado Dom Dinis, do qual sou aficionado, ou do regresso de Dom Sebastião, assim que a bruma dos dias correntes amainasse, como segunda escolha... e eis senão quando, tomo consciência do lugar onde me encontro. Já ia o sonho na segunda parte depois do intervalo. Estou no antro do monstro sagrado. Na sua residência de verão em Cascais, onde num dia de sol radioso, caiu da cadeira e ficou desde então a bater mal da bola.
Parece contente com a minha presença. Creio que tem mesmo vontade de fazer uma passagem de testemunho. Julgo que me está a querer transmitir a impressão de que é chegada a hora do meu sacrfício pela mesma nação a que ele dedicou a sua vida adulta por inteiro. Ele quer que eu assuma a mesma dedicação que ele teve por este torrão.
Eu não posso concordar com as suas acções políticas. Eu desaprovo a mão de ferro que ele manteve sobre todo um povo, que ele olhou como os seus filhos traquinas. Não foi bom termos de recuperar do atraso, depois da sua partida do mundo dos vivos, a que a sua mania de um olímpico isolamento, dum país eremita, obstinadamente nos conduziu.
Mas todas estas discordâncias não me podem turvar outra visão: a de que ele se entregou sem reservas à causa pública. Na sua boa fé, para o bem comum de todos nós, seus súbditos. Ele não fez outra coisa da parte da sua existência que ao mundo importa do que cuidar de nós, tuguinhas. Muitas vezes como um pai severo, que com o poder que detinha tramou muitas outras existências que clamavam pela liberdade de não ter de seguir os passos que este "pai" desejava, mas enfim... foi com a melhor das intenções, no seu estrito conceito.
Aqui chegado, gostaria de enfiar agora este aparte: o nosso Primeiro-Ministro José Sócrates é, nessa entrega à causa pública, semelhante a ele. Nos outros aspectos, totalmente ao contrário. Aí é completamente mundano e cosmopolita. E sabe precisamente o que é necessário e o que podemos fazer, com os nossos parcos recursos, para sair do atraso em que estivemos e de alguma forma ainda estamos. Por isso o aprecio e lhe sou grato. Só vejo o essencial, não me perco com a rama, para a qual alguns tendem maquiavelicamente em desviar o nosso colectivo olhar.
Quando voltei do departamento onírico para o átrio da realidade, fiquei a matutar que seria visitado no futuro desta feita pela outra metade do binómio a que ele pertencia. O Dr. Álvaro Cunhal, que também já cá não está de corpo, porque de alma espero que não nos esqueçamos dele, já agora.
Mas talvez não seja necessária essa aparição. Já privei uma vez apenas brevemente com Cunhal, justamente na sua antiga residência nas Picoas, donde a minha memória reteve dois pormenores engraçados: os dísticos "Do Not Disturb" em caracteres cirílicos, depositados em todas as maçanetas das portas das diferentes divisões; e a caveira de boi com uns imponentes e longilíneos chifres que arrumou no escritório à frente da sua carunchosa secretária, do lado de quem convidava a sentar-se em diálogo com ele nessa salinha.
Bons sonhos para todos aqueles que me honram com a atenção com que lêem os disparates que aqui despejo. Bem hajam, vocês devem ser do bem, tal como eu espero sempre ser.
terça-feira, 2 de março de 2010
• Introdução
Eu, se calhar, até sou capaz de ser um gajo porreiro para os meus semelhantes, sem ter bem uma consciência firme desse facto. Logo, vou assumir a minha candidatura a Presidente da nossa Repúblicazinha Portuguesa.Um outro gajo porreiro abriu um precedente semelhante a este há muitos anos em França. Chamava-se Coluche e foi um pantomimeiro de primeira apanha. Consta que terá feito um cartaz de campanha onde adoptava uma pose de "realeza". Sentado no "trono". Naquele trono que todos nós temos lá em casa e onde os homens costumam encontrar aquela paz de espírito e recolhimento propício á leitura de jornais e revistas, entre outras coisas.
Em Portugal quem inovou nesta área foi o nosso grande Manuel João Vieira. Mas como desta vez eu não tenho garantido que ele avança... e como até já o seu homónimo Alegre se chegou à frente... não vou esperar por ninguém desta feita.
Afinal, já sou elegível desde há largos anos. Tenho andado a dormir na forma.
A nossa Constituição, na versão desta que eu aprendi aos meus 18 anos, diz que é preciso ter mais de 35 anos. Sempre achei curioso isto. Nos anúncios de emprego indica-se quase invariavelmente que "a idade dos candidatos não deve ser superior a 35 anos". Quer-se dizer... quando já não prestamos para o mercado de trabalho é que passamos a ser bons para ser Presidente duma nação. Alguém que reflicta sobre isto que agora não m'apetece.
OK. Mas eu não posso só olhar para o critério da idade. Se fosse só por aí, o Zezé Camarinha também é elegível. Vou então passar a discorrer a ver se reúno outros requisitos. Vamos lá eleborar a minha check list.
Habilitações literárias. Bom. Tenho um curso superior com o grau de bacharelato. Por acaso, tirado na mesma instituição em que o nosso actual primeiro-ministro andou. Já chega para me tratarem de "senhor engenheiro para aqui, senhor engenheiro para acolá". Mas neste país de "doutores da mula russa" talvez muitos julguem que é pouco. Mas a nível mundial, tranquilo! Temos o exemplo do Presidente de uma grande nação emergente, um dos chamados BRIC, o Lula da Silva, que não tem qualquer curso superior. Então por aqui, acho que estou bem. Checked.
Conhecimento da geografia de Portugal. Aqui só me faltam as ilhas Desertas, as Selvagens, uma meia dúzia das ilhas dos Açores e, last but not least, o meu maior handicap, as Berlengas. Das cidades, falta-me no meu curriculum de viajante errante urbes como Pinhel. Capitais de distrito, já obliterei todas. No capítulo das aldeias, a minha maior mancha é ainda não ter posto os pés em Quarta-Feira, concelho do Sabugal. Ou a Picha, em Figueiró dos Vinhos. Ou ao Fundo da Rameira, que ainda tenho de descobrir p'ra que lados fica. Mas, em resumo, duvido que o Cavaco ou qualquer um dos seus antecessores conheçam melhor o Portugalito do que eu. Checked.
Primeira Dama. Eh pá, aí jogo no mesmo campeonato do Sarkozy com a sua Carla Bruni. Prometo ao país uma morenaça poetisa e cantora de fado, com um géniozinho danado. Mais portuguesa de gema que isto não há! Um símbolo de que os portugueses se poderão orgulhar, aqui e no exterior. Uma ruptura radical com o passado, como há p'rái um ambicioso político baixinho que só anda a gritar isso para a comunicação social, a partir da prateleira no estrangeiro onde o arrecadaram. Checked com nota máxima.
Descendência. Outro ponto fortíssimo. Uma miúda espectacular, melhor do que a Chelsea, filha desse saudoso g'anda maluko do Bill Clinton. Que nos seus 16 anitos já tem uma cabeça extraordinária. Que quer seguir Economia política, não por minha influência ou a meu contento, bem longe disso. Mas que herdou a minha teimosia e curiosidade pelo nosso mundo. Ladina que nem uma raposinha. A minha Nastassja Kinski que como pai a vida me deu. Mais um Checked com nota máxima.
Mascote oficial. Os americanos têm esta tradição da mascote oficial da Casa Branca. Lembram-se da fama do Socks, o gato da família mais pândega que passou por aquela casa nos últimos anos? Neste particular, os portugueses fiquem tranquilos que não vou levar nenhum Rottweiller para o Palácio de Belem. Mas vai ser um bom cão de guarda. Uma cadelinha preta, sem pedigree mas com uma taça dum 3º lugar num concurso canino de cães sem raça. No dia da visita semanal protocolar do chato do Primeiro Ministro a Belém - se não fôr já o Sócrates, claro -, assim que este tocar á campaínha, vai desatar a correr desenfreada pelos corredores do Palácio a ladrar p'rós maus. Vou no entanto equacionar voltar a ter uma dupla de animais de estimação. Como quando há uns anos atrás obriguei uma cadela Husky siberiano a conviver com uma ovelha com uma volumetria maior do que ela. Assiste-se a alguns momentos de ternura encantadores. Vou lançar a moda dos portugueses adoptarem uma borrega. E assim garantir a reeleição para um segundo mandato. Checked.
E por fim, os Ideais. Que isto não vai lá só pelos meus lindos olhos. Há que "vender" qualquer coisa às pessoas. Vou ensinar os políticos a serem melhores. Não vou questionar o Governo e as suas acções, por aí estamos bem servidos hoje. Mas vou corrigir os partidos da Oposição. Porque a Oposição é necessária. Não para se opor a torto e a direito a tudo o que é iniciativa do Governo. Mas para nos mostrar com assertividade soluções alternativas. Porque duas cabeças pensam sempre melhor do que uma. E porque os visionários portugueses não têm todos forçosamente a mesma cor política.
Estabeleçamos também este objectivo importante do nosso movimento popular: connosco, ou seja, comigo e com a força da massa crítica de cidadãos eleitores que me elegerem, a nossa Assembleia da República vai deixar de ser uma simples feira de vaidades e de egos exacerbados e começar a trabalhar abnegadamente para todos nós, portugueses.
E para discurso-declaração de lançamento de campanha, fico-me por aqui, para fazer a coisa de forma diferente de Fidel Castro.
Subscrever:
Mensagens (Atom)













































