Confesso. Já fui cobarde* muitas vezes.
Admito mesmo mais: sempre fui cobarde. Amor e cobardia são a mesma coisa, como já li numa citação que alguém produziu antes de mim.
No julgamento que todos os deuses e alguns humanos - aqueles poucos que me prestam atenção - me fizerem, farei este acto de contrição e esperarei que este me sirva ao menos de circunstância atenuante. É que nem todos os homens terão consciência da sua cobardia e farão o mesmo que eu.
O Amor é como um carneirinho, de lã farta, alva e fofinha, pastando pachorrentamente num verde prado primaveril. Metáfora linda à primeira vista. Mas se aproximarmos a nossa visão, atrás das suas orelhitas detectaremos carraças mil!...
O Amor é algo bonito em si, mas que arrasta consigo um ror de feios paasitas. O primeiro sendo, talvez, o ódio, que domina o seu portador, o Amor, em três tempos, tantas vezes... É aquela história da ténue fronteira.
Mas há outros parasitas mais. O egoismo, a canalhice, a traição, a cobardia... Oh, como já fui cobarde a jogar o jogo da sedução... egoísta, canalha, traidor e cobarde... e como também já sofri com a cobardia alheia. De quem fingiu me amar até ao fim, já não o fazendo de verdade... e nem sequer era uma cobardia de índole intencionalmente maligna. Apenas uma cobardia estúpida.
E tende muito cuidado, gentes, que a estupidez humana é infinita, segundo Einstein, e pode ser-vos letal!... No nosso amor próprio, fere-nos mais o próximo que connosco é estúpido do que aquele que é tão-só maquiavélico.
Mas eu tudo compreendo e aceito, resignado. A punição divina que me deram, é aquela que eu mereço. E não posso querer mal a quem me feriu. Porque é inimputável. Porque nós não mandamos no nosso coração. Este é apenas um instrumento nas mãos de entidades sobre-humanas que regem o fado de cada um de nós, mortais.
Sabeis, a cobardia tem um preço. Aquele que eu sempre paguei foi o de ficar cativado sem remissão, no fim, sempre já demasiado tarde, por quem a princípio seduzia e nem tinha a convicção plena - mas, e depois também, como a poderemos ter tão cedo?... - de querer amar incondicionalmente.
E como é alto esse preço, asseguro-vos...
Aposto que Bob Marley proferiu esta máxima que lhe atribuem numa conjuntura particular dele... a de uma valente dor de corno! Provocada por um canalha que lhe andaria a tentar catrapiscar a sua companheira - que ele, Bob, deixaria andar livre para voar e ser ela mesma, sem quaisquer amarras - pelo simples gozo do jogo da sedução. Essa actividade desportiva tão canalha e tão intrínseca dos homens...
Vou terminar de vergastar o Amor, por hoje, apontando o dedo também ao sexo oposto. Que ninguém está inocente no Amor. Todos, de ambos os lados da barreira, têm a sua dose de cobardia.
Reflectindo sobre o pensamento marleyano, invento agora eu esta verdade:
"A maior cobardia de uma mulher é não contar quando o seu amor acabou, deixando o homem viver na ilusão das juras de amor eterno antes dadas por ela.", Giuseppe Pietrini
Não mais quero ser um cobarde. Mas não queria deixar de amar...
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* Tradução da citação em inglês na imagem acima: "A maior cobardia de um homem é despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de a amar.", Bob Marley
Nota: em ambas as citações, a minha e a de Marley, os papéis dos dois sexos podem perfeitamente ser intercambiados entre si, que o valor da verdade das expressões produzidas não sofre qualquer alteração de estado.
















































