segunda-feira, 18 de abril de 2011

• Encontrei-O.

O meu Graal.

Acho que estava escondido dentro de mim. Ocultado por aquilo que finalmente deitei fora. As minhas mágoas. Já as não guardo. De nada. De ninguém.

Olho para trás e tenho de reconhecer que levei até agora uma vida lindíssima. Já usufrui de mais dias de felicidade pura do que o comum dos mortais.

Creio que até um mito como o de Giacomo Casanova me invejaria. Posso não ter tido a quantidade de relacionamentos sentimentais que este teve. Mas a qualidade dos meus é insuperável. E além disso, dei fruto.

Lanço a visão para a frente e miro um horizonte talvez ainda longínquo mas desde já risonho. No que só de mim depender, a minha existência vai continuar a ser nada menos bela do que até aqui já foi.

E se alguém me acompanhar nesta minha nova jornada, saiba de antemão que correrá o sério risco de junto comigo enriquecer. Interiormente. Exteriormente também, mas nem isso irá mais importar, em face do que ao nosso interior acontecerá.

Num outro blog meu, "Ideias Peregrinas (ou talvez não)", costumo reflectir sobre como as coisas são e como poderiam ser melhoradas. Neste aqui, vou passar a reflectir mais sobre como eu próprio posso melhorar. Até atingir a meta a que me proponho: vir a ser o melhor homem do mundo.

domingo, 10 de abril de 2011

• O "pipoco" mais doce

Hoje apetece-me escrever um post um pouco ao estilo à la blog "a pipoca mais doce".

Ou seja, vou falar de algo mais corriqueiro, mais dia-a-dia, mais futilzinho, menos pseudo-intelectual, mais ligeiro, mais terra-a-terra... Em suma, um assunto menos chato do que aquelas longas dissertações em que costumo p'ráqui botar faladura. Tanta coisa, afinal, para dizer que vou falar de roupa.

E como sou gajo, vou falar de roupa masculina. E para esbater a pose institucional que sou forçado a ter, por óbvias razões, na foto no banner deste blog, vou mostrar umas tendências para usar numa qualquer casual friday duma dessas empresas moderninhas. Que ainda agora não há tantas assim cá por esta Lisboa quantas as que se desejaria que adoptassem esse dia. Então, para dar um exemplo...

Há lá alguma coisa mais casual do que jeans e uma t-shirt? Para mim, branca de preferência. Como esta que se vê acima. É que a primavera está aí, malta.

Já agora, se alguém souber como me arranjar para mim mesmo uma t-shirt destas, agradecerei encarecidamente*.

O pior é que ás vezes estas engraçadinhas destas casual fridays têm o seu reverso da medalha... O expediente prolonga-se muitas vezes para além do typical nine-to-five. Além de que aqui o horário normal é geralmente nove-ás-seis.

E ainda dizem que nós tugas trabalhamos menos que os outros confrades europeus... Fazemos é mais uns poucos de coffee breaks!... Mas também o que é que vocês queriam? Ninguém é perfeito!

Mas se assim for, e se já estiver a arrefecer uma beka ao lusco-fusco ou mesmo à noitinha, toca de vestir este blusão da Kappa, modelo Eroi Italia Heritage, mostrado aqui do lado esquerdo. Já os vi em colecções de anos anteriores em ganga azul clarinha, muito worn out, bué mais giros. Mas agora não os consegui encontrar à venda na net.

Eis então aqui as minhas modestas sugestões de roupa masculina mais "desportiva" para esta estação... Não é preciso agradecerem, tá?... Estamos aqui é p'ra ajudar.
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* Nota: este desafio que aqui deixei à laia de peditório para me oferecerem uma t-shirt igual à ilustrada em cima não é extensível aos meus queridos(as) leitores de Caxias do Sul, RS, Brasil, por ser demasiado fácil para estes(as), ok?... Mas para os restantes nativos desse estado, tudo bem, nada contra.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

• Agora é assim...

Barack Obama anunciou em primeira mão, consta-se, o arranque da campanha para a sua reeleição em 2012 no facebook e no twitter, no passado dia 4 de Abril.

A partir de agora é assim. Os nossos líderes carismáticos vão passar a dirigir-se a nós onde nós estamos. E estamos todos no ciberespaço, pelos vistos. E o facebook e o twitter, como campeões das redes sociais, estão a ser convertidos em reais serviços de utilidade pública.

É claro que, como auto-eternizado candidato a presidente da República Portuguesa, já lá fui no face dar a minha palavra de apoio ao colega. E também deixar o recadinho, que eu não sou de dar ponto sem nó, de que espero o retorno da parte dele em 2016, para a minha própria campanha fantoche.

Mas depois disso, deu-me para reflectir. Há dias em que estou assim... dá-me na fraqueza e lá ponho o Tico e o Teco para trabalhar. E estou quase, quase a terminar por congeminar isto que se segue...

Afinal de contas, e se essas ditas contas forem bem feitas, o que é raramente o caso aqui no burgo,,, ambicionar ser presidente da República de um país a caminho da bancarrota à velocidade de um TGV eternamente virtual não se me afigura lá muito inteligente. É como que querer ser CEO do BPN. Para quem não sabe, o BPN é o Banco Português de Negócios esquisitos. Não vai ficar lá muito bem escarrapachado no curriculum vitae e muito menos na auto-biografia...

Vou "mazé" fazer a agulha pra me candidatar a presidente das Nações Unidas!... Que achais disto, meus queridos leitores?...

sábado, 2 de abril de 2011

• Zen...

Eu, José, venho anunciar que o autor deste blog, personagem que criei e que incarno. está em paz com ambos os universos: o exterior e o interior a si.

Está em paz com todas as galáxias, estrelas, planetas, cometas de Halley, buracos negros, pulsares, etc., bem como com todas as células, genes, moléculas e átomos do seu corpo, inclusivé até com os sacanas dos neutrôes dos núcleos desses últimos.

Talvez Antoine de Saint-Exupéry pudesse bem compreender o que lhe apraz hoje proclamar, e que é...

Amo ser Amigo.

...e que é seu secreto desejo um dia reencarnar num destes graciosos bichos... mas das que falam.

Pena é que só tenha muitos amigos(as) no facebook... e que não consiga cultivar e cuidar mais das minhas amizades reais e virtuais. Não sou de andar em alcateias. Sou mais lobo solitário. Ou melhor dito, como a raposa. Quieta no seu canto, esperando que vão ter com ela, a solicitar-lhe as suas palavras.

É por isso que gosto que aqui vindes, meus queridos leitores deste blog.

quinta-feira, 17 de março de 2011

• Meio século...

Há 50 anos que este rico menino aqui em cima mostrado veio a este mundo gracioso...

Cada vez gosto mais dele, caramba!

A sua capacidade de renovação da esperança é notável. Bem como as suas inatas faculdades oníricas.

Mas o mérito disso não é todo dele, decerto. A fortuna o tem acompanhado. Inda há poucas luas teve a desdita de descobrir uma jazida de ouro negro, de caudal praticamente inesgotável. O combustível que a sua chama carecia, para continuar a arder e uma luz de espectro mais limpo emitir. 

E ele ri. Ajoelhado por terra, rendido, ri com a face toda suja, mascarrada de grude, mas ri. Pleno de felicidade dentro do peito ilustre lusitano. Porque encontrou outro sorriso tão lindo quanto o dele. Que digo eu?... mais belo ainda, perdão.

Numa outra alma que consigo crê se identificar. Numa eterna menina mulher. What else?... como diria o meu amigo Clooney, cujo charme invejo. Ou talvez não... já não.

Mas chega de devaneios. Que a sorte de encontrar petróleo dá depois um trabalho danado. Para o recolher até á última gota. E esta jagida é em paragens longínquas. A uma grande jornada obriga. E é preciso coragem e determinação para seguir sonhando. Mas palavras de ânimo não lhe têm faltado. Vindas das mais diversas partes do globo. E outras ajudas decerto surgirão também. Questão de semear para depois colher. Como proclamou o tio Julio, ao "atravessar" o Rubicão... Alea jacta est.

"...que o sonho comanda a vida
e sempre que um homem sonha
o mundo pula, e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança"

excerto de um poema de António Gedeão
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P.S.: a fonte de inspiração para este post foi a repentina leitura de uma citação em língua inglesa, atribuida a Sócrates, que reza assim:

"An honest man is always a child"

Não confundir este Sócrates aqui referido com um outro de nome próprio José, que tal como eu, mais um José, adora citar grandes pensadores.

segunda-feira, 14 de março de 2011

• One word...


- Attraversiamo*.

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* Julia Roberts dixit em "Eat Pray Love", o filme. Um post minimalista levado à sua máxima expressão. Onde se diz tudo. Numa só palavra.

sexta-feira, 11 de março de 2011

• Solemn Warning

Thanks to all the gods of all the Olympus created by our human minds, I am out of balance. These last few days, since the late March, the 8th... blessed day!... 

And it feels good. So good. Sooooo damn good...

You should wish it hard to experience this feeling one day. I now say farewell to you all around this beautiful world, walking away singing this song in my heart:

"...serenos como un lago
en cuyas quietas aguas
un dia me mire..."
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P.S.: Leonardo, I see what you meant now, when you shouted "I'M THE KING OF THE WORLD!!!".

Image at the top: København's famous little mermaid (per meglio dire, la sirenetta).

terça-feira, 8 de março de 2011

• Um dia feliz de 2011


A todas as mulheres deste mundo, às mães, às filhas, às esposas, às amantes, às amigas, às companheiras, às namoradas, às damas de companhia, às professoras, às enfermeiras, às poetisas, às bibliotecáriasàs madres superiores, às tarólogas, às sardinheiras, às vestais, às telefonistas, às deusas, às farmacêuticas, às feiticeiras, às mulheres do norte, do sul, do leste e do oeste, e a todas as outras senhoras que, desastradamente, me estou a esquecer agora...

...o meu enorme reconhecimento pelo colo que de todas vós tenho recebido e que tenho podido dar de mim.

Este post tem uma banda sonora original, que pode ser escutada clicando aqui.

Ah!... hoje, porque um dia não são dias, as bilhardeiras, as vizinhas, as alcoviteiras, as zaragateiras e as popularmente designadas de "peixeiras", mesmo daquelas de sangue na guelra, também contam com o meu Beijim.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

• O fogo eterno

Foto de mim, hoje,
"Saber não ter ilusões é absoluta-mente necessário para se poder ter sonhos.", Fernando Pessoa, in "O Livro do Desassossego"

A cada dia, uma nova esperança, seguida de uma nova desilusão. Tem sido este o meu penoso viver.

Todos os dias os deuses me oferecem um novo motivo para acreditar num renascido futuro risonho. Mas, por desgraça minha, que se me colou à pele de forma indelével, nunca tarda muito, invariavelmente, para que eu deixe de crer em cada uma dessas novas oferendas. Por me parecer sempre utópica ou quase.

Já não sonho com quase nada.
Não consigo fazê-lo, de tal modo a fé abandonou a minha alma.
Já não sonho com uma nova casa.
Já não sonho com um novo emprego.
Já não sonho com concretizar a viagem dos meus sonhos.
Já não sonho com ter mais dinheiro.
Já não sonho com a descoberta de Shangri la.
Já não sonho com a posse de bens materiais.

Já só sonho em ter um novo amor.
Um amor inteiramente novo.
Ou um amor renascido das cinzas frias.
Das cinzas que, com o cair das folhas do calendário, o vento vai dispersando. Para longe. Irreversivelmente.

Só com um novo amor, creio poder voltar a sonhar com tudo o resto.
Já não sei sonhar sozinho.
Como um filho, um sonho tem de ser concebido a dois.
Os meus sonhos, como óvulos, têm de ser fecundados para nascerem. Ou então, se oniricamente estéril me tenha tornado, tenho de adoptar os sonhos de a quem me juntar.
Mas de uma forma ou de outra, tenho de sonhar acompanhado. Senão, não estarei a viver.

Hoje vou sobrevivendo. Sou uma chama acesa a que o combustível não tem ainda faltado. Até quando?...

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

• Speechless am I...

Imagem com fundo verde esperança, a cor também do pensamento expresso, tão belo quanto sábio.

Neste blog, onde os textos publicados têm sido invariavelmente autênticos testamentos, finalmente um post com serviços mínimos.

A ver se agora haverá mais comentários de leitores. Ou tão-só mais e novos leitores. Olhem que se não comentarem, eu dou mesmo cabo do patinho!... Não estou a brincar...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

• Amor e cobardia


Confesso. Já fui cobarde* muitas vezes.

Admito mesmo mais: sempre fui cobarde. Amor e cobardia são a mesma coisa, como já li numa citação que alguém produziu antes de mim.

No julgamento que todos os deuses e alguns humanos - aqueles poucos que me prestam atenção - me fizerem, farei este acto de contrição e esperarei que este me sirva ao menos de circunstância atenuante. É que nem todos os homens terão consciência da sua cobardia e farão o mesmo que eu.

O Amor é como um carneirinho, de lã farta, alva e fofinha, pastando pachorrentamente num verde prado primaveril. Metáfora linda à primeira vista. Mas se aproximarmos a nossa visão, atrás das suas orelhitas detectaremos carraças mil!...

O Amor é algo bonito em si, mas que arrasta consigo um ror de feios paasitas. O primeiro sendo, talvez, o ódio, que domina o seu portador, o Amor, em três tempos, tantas vezes... É aquela história da ténue fronteira.

Mas há outros parasitas mais. O egoismo, a canalhice, a traição, a cobardia... Oh, como já fui cobarde a jogar o jogo da sedução... egoísta, canalha, traidor e cobarde... e como também já sofri com a cobardia alheia. De quem fingiu me amar até ao fim, já não o fazendo de verdade... e nem sequer era uma cobardia de índole intencionalmente maligna. Apenas uma cobardia estúpida.

E tende muito cuidado, gentes, que a estupidez humana é infinita, segundo Einstein, e pode ser-vos letal!... No nosso amor próprio, fere-nos mais o próximo que connosco é estúpido do que aquele que é tão-só maquiavélico.

Mas eu tudo compreendo e aceito, resignado. A punição divina que me deram, é aquela que eu mereço. E não posso querer mal a quem me feriu. Porque é inimputável. Porque nós não mandamos no nosso coração. Este é apenas um instrumento nas mãos de entidades sobre-humanas que regem o fado de cada um de nós, mortais.

Sabeis, a cobardia tem um preço. Aquele que eu sempre paguei foi o de ficar cativado sem remissão, no fim, sempre já demasiado tarde, por quem a princípio seduzia e nem tinha a convicção plena - mas, e depois também, como a poderemos ter tão cedo?... - de querer amar incondicionalmente.

E como é alto esse preço, asseguro-vos...

Aposto que Bob Marley proferiu esta máxima que lhe atribuem numa conjuntura particular dele... a de uma valente dor de corno! Provocada por um canalha que lhe andaria a tentar catrapiscar a sua companheira - que ele, Bob, deixaria andar livre para voar e ser ela mesma, sem quaisquer amarras - pelo simples gozo do jogo da sedução. Essa actividade desportiva tão canalha e tão intrínseca dos homens...

Vou terminar de vergastar o Amor, por hoje, apontando o dedo também ao sexo oposto. Que ninguém está inocente no Amor. Todos, de ambos os lados da barreira, têm a sua dose de cobardia.

Reflectindo sobre o pensamento marleyano, invento agora eu esta verdade:

"A maior cobardia de uma mulher é não contar quando o seu amor acabou, deixando o homem viver na ilusão das juras de amor eterno antes dadas por ela.", Giuseppe Pietrini
Não mais quero ser um cobarde. Mas não queria deixar de amar...

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* Tradução da citação em inglês na imagem acima: "A maior cobardia de um homem é despertar o amor de uma mulher sem ter a intenção de a amar.", Bob Marley
Nota: em ambas as citações, a minha e a de Marley, os papéis dos dois sexos podem perfeitamente ser intercambiados entre si, que o valor da verdade das expressões produzidas não sofre qualquer alteração de estado.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

• São Valentim

É o meu coraçãozito...

Está onde tu o deixaste. Aí se quedou, desde a tua partida para uma vida nova, plena de esperança. Como tu assim disseste para ti mesma e assim pretendes crer.

Eu para aqui estou arrecadado. Num espaço e tempo vazio. Mas graças aos deuses, a natureza tem horror ao vazio. E não tarda em preenchê-lo.

Não fosse a nossa separação e o caminho da minha existência não se teria cruzado com aquela, aqui bem perto, do outro lado do habitat das tágides, que é a maior amiga do sexo oposto que um homem das minhas qualidades e defeitos pode neste mundo ambicionar conhecer. E como é bom poder servir a ela com um imesurável prazer como amigo incondicional.

Não fosse eu gritar aos ventos a carência do teu abraço e eu não teria sido descoberto por uma alma gêmea do outro lado do mundo, para lá do Adamastor. Alguém que me leva a acreditar que um dia, antes de eu nascer e da minha alma vir habitar este corpo meu, ela se terá fendido em duas unidades. Uma delas ficou minha inquilina. A outra aguardou alguns anos mais para se decidir enfim, por ir viver com aquela minha semelhante que veio ao mundo na Pindorama.

Dizes-te alma solitária. Confessas que ainda assim, foi de início ao meu lado que terás encontrado outra alma que mais te compreendia e completava. Terás deixado de crer nisso, talvez.

Eu também me julgava solitário. Não mais me posso considerar tal. Não depois de ter recebido estas duas oferendas dos deuses que mencionei. Mas ainda assim, estarei no próximo dia de São Valentim só. Sem ti ou outra qualquer mulher para poder prestar as minhas homenagens nesse dia sagrado para a minha religião: a adoração da beleza feminina.

Resignar-me-ei. E talvez assim dessa sorte me metamorfizarei no poeta e filósofo maior do Amor. Que esta terra e eu próprio ainda teremos por descobrir dentro em mim. Se é isso o desígnio dos deuses... eu digo: aqui estou. No meu canto.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

• Cansei de caçar borboleta

Amar-te...

Amar-te, na tua ausência, é
não pensar senão em ti.
É estar contente com o teu contentamento
inda que deste a fonte não sejamos.
É sufocar a contínua dor
da residual permanência
de ti dentro de nós

Mas amar-te também é
ir procurar-te em todas as mulheres.
Julgar sentir o suspiro teu
no seu arfar
e não te encontrar
porque amar-te depois que te foste
é não te ver
em corpo ou lugar nenhum.
Amar-te assim é o vazio.
Má fortuna um dia ter amado
porque quedar de o fazer
não podemos mais.

Também é amar-te
não pensar somente em ti.
Cuidar que não tenhas sempre
as orelhas aquecidas.
É lutar contra nós próprios
desviando a teimosa ideia
de ti remoendo em nós.
É passar a ter atenção
a quem não a dávamos.
É escutar mais e melhor
o mundo antes longínquo
e voltar então a ti
com serenidade
para conseguir viver
sem ti
e deixar-te ser feliz
sem nós.

Se um dia, quiçá, tornares
que a coragem te não falte
porque não vai caber em ti
todo o amor que te guardo.


Esta prosa, talvez poética, é dedicada a quem se demiitu de me amar por inteiro. Mas também tem de sê-lo a esses seres maravilhosos, todas as mulheres deste mundo que têm um coração capaz de se apiedar com a visão de um cão abandonado na rua.

sábado, 15 de janeiro de 2011

• Fiat lux!...

Aos quinze dias deste mês de Janeiro do anno da graça de MMXI, eu vi finalmente a luz.

Foi necessária alguma dor, mas eu vi-a. Foi ao sentir uma circunstancial total ausência de emoções no diálogo com quem nem faz ainda um trimestre me presenteava com generoso carinho e afecto e, quiçá, algum amor, que eu percebi o meu principal handiicap sentimental.

Verdade seja dita que a mão procurou ser emendada algumas horas depois. E eu devia estar grato por isso a ela, mas estraguei tudo de novo, porque já não sei o que digo ou o que faço.

Ajudou-me também antes ter lido no Facebook o poema de Augusto Branco "Vida - Já perdoei erros quase imperdoáveis".

"Mas afinal o que foi essa famosa revelação que tiveste hoje?", pergunta-me o meu Eu profundo, como se nada soubesse ou só a querer meter conversa, para compreender o que o meu Eu de carne e osso - por facilitismo de linguagem, chamemos-lhe "superficial" - tinha então assimilado.

"Eu nunca fui capaz de amar verdadeiramente ninguém até hoje na minha vida", retorqui-lhe Eu, dito o "superficial".

Eu profundo: E isso fica a dever-se a quê, no teu hoje adquirido novo entender?

Eu "superficial": À minha imensa sede de liberdade, que me impediu sempre de me entregar completamente ao Amor daquela que comigo resolvia dividir os seus dias e carinhos. Desde a mãe da minha filha até à derradeira mulher que comigo penou durante nove anos, que se escoaram tão lestos.

Eu p.: Pois...

Eu "s.": Mas de qualquer forma, eu dei-me também ao Amor. Não totalmente mas dei-me. O meu abraço nunca foi frio. O meu peito e ombro estavam sempre disponíveis, se com urgência eram requeridos. O meu beijo era sempre sentido. Ainda que eu beijar não saiba, segundo o que me fizeram ver um dia, não beijei à toa. Não beijei só por gostar de beijar. Beijei porque amava naquele momento.

Eu p.: E porque estás a proclamar isso agora?

Eu "s.": Bem... não sei. Talvez esteja só a dizê-lo para me confortar a mim próprio.

Eu p.: Ah!... E agora, á luz dessa tua descoberta, o que contas fazer doravante?

Eu "s.": Deixar-me enredar total e incondicionalmente pelo Amor. Não mais desejar ser livre. Dar-me todo. Casar num templo sagrado, com todo o ritual seguido a rigor e a contento da sociedade. Ter de novo um filho e desta feita vê-lo crescer todos os dias. Construir finalmente um lar a sério. Que contenha dentro dele todos os abraços do mundo.

Eu p.: E como é que fica aquela história da tua doutrina de vida, o Pietrinismo?

Eu "s.": Eh pá, isso era um Eu que já não existe hoje. Era aquele insano que eu até ontem era, sequioso da sua querida e inglória liberdade, a bradar aos ventos sem fazer qualquer sentido. Eu hoje mudei.

Eu p.: Só que agora é tarde para essa sábia resolução tua. Dormiste na forma... e acordaste um dia com 50 anos e sózinho. Desdenhaste do destino que os deuses te tinham delineado. E aquela que Estes tinham planeado para ti foi-se...

Eu "s.": Bem o sei, não careces de avivar-me a memória! Choro ainda a sua partida devida à minha cegueira, quiçá para todo o sempre. Mas se o milagre do seu retorno ou da chegada de outra que eu mereça acontecer, saberei como fazer melhor que no passado.

Eu p.: A ver vamos, se essa fortuna tiveres, se cumprirás com o que hoje estás a jurar.

Eu "s.": Vai-te catar, meu c...ão de m...da! Também tu a jogar-me ainda mais para baixo? Já não basta o mundo inteiro? Até os do meu próprio sangue não compreendem a minha dor e perceber como me sinto escapa ao seu entendimento. Para que me estás a mandar essa boca? Onde estavas tu, quando de uma consciência eu necessitei?

Eu p.: Eu? Mas então o menino não queria ser livre como um pássaro e pousar em todos os ninhos? Foste tu que tomaste por modelo esse libertino do Elmano Sadino.... Muitos como tu olvidam no entanto é que ele escreveu também isto: "Meu ser evaporei na lida insana / Do tropel de paixões, que me arrastava". Agora pagas a factura. A tua tão anseada liberdade custou-te aquela felicidade que por ilusão já achavas assegurada até ao fim dos teus dias.

Eu "s.": Pois... mas eu digo-te que agora vou ser recto. É já tarde para o decidir e talvez até vão, porque posso tornar-me um eremita sem remissão. Mas...

Eu p.: Esse é o teu mais provável fado, meu velho... pois com a dor da recente perda, tu estás a ficar louco.

Eu "s.": Louco estarei por vezes, admito-o. Mas hás-de concordar que após esse estados de alma transitórios, uma lucidez de qualidade ímpar também me vem.

Eu p.: Hummm....

Eu "s.": Lembra-te lá: nós dois assistimos a um filme há uns tempos em que um guru desdentado dizia que, às vezes, é preciso perder o equilíbrio por instantes para depois voltar a ganhá-lo de forma permanente.

Eu p.: Com essa agora, surpreendeste-me...