terça-feira, 31 de janeiro de 2012

• Harém ou alcova

Sometimes it's good to be the king, costumam dizer os britânicos…

E poderia também ser esse o desabafo de um qualquer sultão dessa longínqua Istanbul. Aquando se encontrasse refugiado de agruras de calores estivais com abanicos de penugem de avestruz, agitados por miríades das suas odaliscas, dispostas em seu redor. Dolcíssimas fêmeas, qual sereias encantadas, tão abnegadamente devotadas as vidas delas a sua magnífica alteza.

Alguns de nós, homens, se não quiçá todos, já terão sonhado estar na pele desse sortudo sultão, quando pela primeira vez se tiverem vistos confrontados com o conhecimento dessa realidade. De que existiram em tempos que já lá vão no próximo Oriente esses viris paraísos terrestres a que os otomanos chamavam de haréns.

Eu também já terei querido ter esses sonhos… Mal avisado andava. Hoje vejo mais além.

E sei que o pobre diabo desse sultão era bem capaz de experimentar amargos momentos de uma profunda solidão. Mesmo que mergulhado num cálido banho de sereníssima luxúria e carinhos mil, que uma dúzia ao quadrado de jovens e esbeltas mulheres de seios fartos e generosamente desnudos em sua deliciosa alvura lhe dedicassem.

Isto porque porventura uma só dama lhe fizesse sentir no espírito e na carne a dor teimosamente persistente da sua falta. Aquela a quem sabia que de tudo podia contar a ela da sua alma profunda. No mais recôndito dos aposentos do seu palácio. Onde coubessem só os dois. 

Ele e a sua favorita. A única que lhe importa.

Naquela simples alcova, a mais despojada de luxos, reduzidos a banalidades em face da divina felicidade recebida no encontro das duas caras-metade.

É isto o que eu hoje sei. Ao fim destes anos todos em que a minha vã masculinidade fui andando a pôr infantilmente à prova. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

• O amor mais puro

Hoje gostaria de lembrar neste meu blog um poeta pouco conhecido da nossa nobre língua portuguesa.

Porque o vejo como um singular gentleman. Que passei a apreciar através da leitura do seu poema que reproduzirei em baixo, que consta que algum desdém literário terá provocado ao seu ilustre contemporâneo Camilo Castello Branco. Algo Incompreendidamente, direi eu...

Creio ter encontrado neste poema a expressão do amor mais puro que haver pode, dum amante extraordinário que de forma tão sublime idolatrava a beleza feminina. Com mal disfarçada vaidade desejaria me poder rever também nas suas galantes palavras.

Como se poderá bem adivinhar, os mesmos dizeres impregnados de paixão eu dedicaria a alguém muito especial no meu coração e na minha biografia por escrever.

Uns pézinhos

Cismo, cismo e não sei inda 
como tu, sendo tão linda 
e tão vaidosa de o ser, 
tens ai no chão pousados 
os teus pézinhos coitados!
aí como uns pés quaisquer!...

Eu não sei, não compreendo, 
quando te vejo correndo, 
mesmo que vás devagar, 
como uns pés tão pequeninos, 
tão delicados, tão finos, 
assim te podem levar!

Faz-me pena, coitaditos! 
tão galantes, tão bonitos, 
vê-los assim pelo pó!... 
Muita pena!... ainda ao menos 
se não fossem tão pequenos... 
mas assim faz mesmo dó!...

Ainda se toda a estrada 
te fosse ao menos juncada 
de rosmaninho e alecrim, 
como a santa da capela 
quando sai no andor, mas ela 
nunca teve uns pés assim!...

Olha! às vezes endoideço 
quando tos vejo, e apeteço 
duas semanas... um mês... 
dois meses... nem sei eu quanto, 
ser um sapato, contanto 
que tu me tragas nos pés!...

Às vezes, quando à tardinha 
tu vais cismando sozinha 
por sobre a relva ao de leve,
suspira cada folhita 
d’inveja a mais pequenita 
que o teu pézinho conteve!

E se páras distraída 
junto d’alva margarida, 
ou malmequer, ou bonina, 
faz gosto ver o jeitinho 
com que a flor torce o pézinho 
e sobre um dos teus s’inclina!

Que amor! que amor, ó meu Deus! 
e não é por serem teus
que os amo tanto, não é... 
Esse teu pé pequenino 
foi obra dalgum destino 
que eu tenha de amar um pé.

Mais ai! são tão desdenhosos! 
mostram-se assim descuidosos, 
mas eu conheço, eu bem sei... 
mil beijos, que me rejeitam, 
nem por tapete os aceitam, 
pobre de mim, que os sonhei!

E verás que dentro em pouco 
nem sei da cabeça, louco 
por ele... e seus desdéns!... 
Que tu também, coitaditos! 
tens uns pés tão pequenitos 
que por um triz que os não tens.

Esconde-me esses traidores, 
esconde-mos. Sedutores!... 
nem são pés, são um feitiço!... 
Esconde-me esses ingratos, 
nem as pontas dos sapatos 
quero ver-lhes, antes isso.

Que hei-de eu fazer, quando os vejo, 
a tanto faminto beijo
que tos quisera calçar? 
que nem os peixes no rio 
se juntam tanto a fio 
na veia d’água a brincar?

S’inda fosse a tua meia 
destes peixes rede cheia 
quando a fosses vestir, 
e em cada malha embrulhado 
ficasse bem emalhado 
ao menos um sem cair!

Ou, ao menos, se as pedrinhas 
onde os pões quando caminhas 
fossem todos beijos meus, 
que, nem indo a pé descalço, 
pusesses um pé em falso... 
mas assim!... valha-me Deus!

Olha, a dizer-te a verdade, 
eu acho que é crueldade 
deixá-los ir pelo chão... 
Se queres, poupa-lhes passos, 
levo-te a ti num dos braços 
e eles ambos noutra mão.

Fernando Caldeira
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Fernando Caldeira nasceu no palácio da Borralha, em Águeda, a 7 de Novembro de 1841 e morreu, relativamente novo, em 2 de Abril de 1894. Foi o segundo filho do primeiro Visconde da Borralha, Francisco Caldeira Leitão Pinto de Albuquerque de Brito Moniz, par do reino, do Conselho de D. Maria II e moço fidalgo. Foi sua mãe a Sr.ª D. Inês de Vera Geraldes de Melo Sampaio e Bourbon.

Por tradição de família, Fernando Caldeira cursou Direito e foi bacharel pela Universidade de Coimbra em 1861. Revelador da personalidade do poeta é o testemunho do Dr. Mateus Pereira Pinto, médico da família e amigo íntimo:

“Conhecê-lo foi o mesmo que admirá-lo e ficar preso do irresistível poder de sedução que dele dimanava. Debaixo deste aspecto foi um conquistador. Verdadeira alma de poeta… (…) O seu olhar sonhador e apagado, indicava-nos que o seu espírito deixava o seu invólucro material para pairar nas regiões etéreas do belo, mas tinha também cintilações e fulgor, que revelava um cérebro potente e produtivo.”

Fernando Caldeira, além de poeta, foi sobretudo dramaturgo. Sendo que a sua primeira peça teatral, “O Sapatinho de Setim”, estreou no Teatro da Trindade em Lisboa, em 1876. Curioso, este título... Que me leva a comparar este vate a esse outro vulto bem mais cosmopolita que foi o gaulês Retif de la Bretonne.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

• Good vibrations

Ζω σε ένα παλάτι που ονομάζεται "ευτυχία". Οδηγώ μια λιμουζίνα αυτοκίνητο, το εμπορικό σήμα του είναι "καλή τύχη". Νιώθω υπέροχα, όπως και αν είχα την ευλογία των θεών του Ολύμπου.

Το μέλλον πρέπει να είναι λαμπρό, αφού το υπέροχο μέρες είμαι έχοντας αυτή την εβδομάδα.

domingo, 8 de janeiro de 2012

• 고독*

“Porque será que estamos condenados a ser assim tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta gente, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros e, contudo, todos irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?” 
Haruki Murakami, in "Sputnik Sweetheart"** 

É assaz curioso como, bem antes de ler este livro, já tinha expresso neste blog em tempos um pensamento que se me afigura deveras semelhante na sua essência a isto que Haruki Murakami escreveu. Terá sido então neste post...

E que ainda uma outra alma neste mundo dos deuses tenha também achado relevante esta porção de texto. Porque foi partilhado neste site.

Assombroso, digo eu, cá com o meu fecho éclar… Caramba! Que enorme fatalidade esta.
E que suave consolo, ao mesmo tempo, também... Mi sembra che non siamo soli ad essere soli, dunque.
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* Loneliness, em coreano. Piscadela de olho a Miu, personagem singela deste romance de Murakami.

** No original em japonés, "スプートニクの恋人 "; "Sputnik meu amor" na edição portuguesa.

P.S.: Obrigado pela oferta deste livro, filhota. O pai ama-te muito.

sábado, 7 de janeiro de 2012

• Still unchecked...


And this since last year's - 2011, that is - beginning... I mean, in a permanent way. Forever and ever. And not just someone. But the ONE. Who, of course, will have to be the special one. As special as I am as well, at the least.

Many thanks, although, to the few gentle souls that brought me joy to the heart and hope in the future, in a transitory fashion, all along these last hard twelve months. You made me feel I'm not so alone in this world, after all.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

• Krankzinnigheid*

Sinto que estou lentamente a perder a razão. Que esta se me esvai por todos os poros. Deixando o vazio ser preenchido a conta-gotas por um estado mental de loucura, por enquanto ainda sob controlo.

Com a auto-consciência que me vai restando, ainda me vou apercebendo disso. Sei que estou a deixar fugir o juizo porque o vazio está a ser criado á minha volta, desde há anos. Estou a ficar cada vez mais só. Devido às minhas más escolhas nesta vida.

No início, fui um deus para aquela que ainda hoje julgo amar, por uns longos 9 anos, e hoje pouco ou nada lhe importo. Muito embora eu viva na ilusão de que seremos os melhores amigos um do outro que haver pode. 

Na década de setenta do século passado, a minha ávida atenção de pré-adolescente foi captada por um cartaz nas ruas, que tinha tão-só, sobre um macabro fundo negro mate, uma caveira humana e os parcos dizeres "droga, loucura, morte".

A recordação dessa mensagem dura e forte conduziu minha mente a questionar-se. Ao quê serei eu adicto. Qual será a causa da minha insanidade. E creio que descobri.

Sou adicto a estar apaixonado. Sou dependente de abraços e beijos. Esse hábito adquirido de todos os dias ter alguém para envolver com meus braços e olhar nos olhos dela provoca-me uma dor intensa com a sua actual carência absoluta.

Maldigo algumas vezes essa venal herança deste meu último findo relacionamento. Que dos outros anteriores não se me infiltrou nas entranhas com tal vigor. 

E uma vez que a esperança daquela união ter uma segunda vida é vã, pergunto-me onde encontrar alguém com a mesma carência que me foi injectada na alma e por quem eu possa sentir algo que em amor possa redundar? O horizonte afigura-se-me vazio.

Mas tal como Boethius escreveu a sua obra "Consolatio Philosophiae" no cárcere, com as dores da carência da liberdade tão amada - obra que tenho de passar a ler, uma vez que até a possuo -, assim eu também permito que esta tristeza que me invade e me vai tornando mais louco um pouco, suavemente, seja o lume da criatividade que vai fazendo com as minhas palavras jorrem e eu as transcreva para os meus blogs, não tendo este aqui o exclusivo da expressão escrita de minhas penas.

Darei a volta por cima algum dia? Antes de ser demasiado tarde?
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* Loucura, na língua neerlandesa, vulgo holandês.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

• Panloob na kapayapaan*

"Freedom from desire leads to inner peace"
Lao Tzu

So, we have to get rid from desire… That's more easy to say than to put it in practice in our lifes, nowadays. Buddha also proclaimed that "Desire is the root cause of all evil". Trouble is mankind creates every day new objects of desire. Or immaterial concepts which are hard not to want. Like inner peace itself. 

I'm not making any sense, not even to myself, anymore… This inner peace thing seems to me, personally, an utopia. Will never obtain it. I'm far too much insane for it to be a desire of mine. I surely must be cursed.
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* Inner peace, in tagalog, one of the major languages spoken in the Philippines, often called even as filipino.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

• La perte de l'innocence

Que ia solitária para o meio dos campos primaveris cobertos de malmequeres. E que lá ficava tardes inteiras a fazer colares com as abundantes flores. Alimentando a sua pequena vaidade própria ornamentando-se com essas cadeias florais. 

Isto ela relatou a ele sobre si mesma. E o cativou com o imaginá-la lá, sereníssima, nesses prados ao redor da sua bucólica aldeia.

Nada podia ilustrar melhor aquele que foi o melhor trunfo dela no jogo de sedução a que se entregaram. A sua inocência pura. Conservada nesse cristalino estado até às duas dúzias de rotações da nossa terra em volta do astro-rei. Cujos generosos raios eram os responsáveis pela proliferação daqueles pequenos sóis vegetais, matéria-prima das jóias que manufacturava.

A campestre solidão dela era voluntária. Porque a melancolia da alma que sempre carregou desde a nascença exigia esse retiro. Para se expressar livremente, sem censura social alheia.

De tanto mirar o horizonte ou os pássaros livres, ela começou a sentir-se confinada aos limites do espaço até onde os seus parcos passos a levavam, que ficavam bem aquém de até onde os seus tristonhos olhos negros alcançavam.

E passou a sonhar em demandar a cidade grande. Á beira da qual ele habitava. E se ela já vinha ambicionando dar esse passo grande, assim que ele e ela se cruzaram nesta vida, ele para ela foi então também como um catalizador desse desejo.

Outro objectivo ela tinha, o de cantar. Porque com uma belíssima voz os deuses a apetrecharam. E no boémio meio artístico quis se embrenhar. Para nele medrar. Mais a contento de quem a trouxe ao mundo do que a seu próprio.

Para que as gentes a ouvissem e lhe retorquissem seus devidos aplausos, ela os dotes canoros libertou. Assim como se acendesse uma vela que até aí tinha permanecido com toda a sua cera intacta.

Essa onírica vela que a sua luz interior difundiu era, metaforicamente, a sua inocência. E consumiu-se. E o oxigénio de que essa combustão carecia foi rico. 

A inocência pode ser perdida até no meio ambiente de um grupo coral de canto gregoriano. Mas foi logo a fogueira das vaidades dos egos mais sombrios daqueles que fazem da noite o seu dia que a tinha de deslumbrar. Lá onde se destila o que há de mais baixa valia na alma lusitana. As casas de fado mais escuras das ruelas mais estreitas e menos limpas desta maldita urbe, Lisboa.

Essa Lisboa que era a cidade berço dele. Cujo ar se tornou turvo. Porque a cidade e as vis gentes que esta acolhe ao luar a roubaram dele. Mas no fundo, desde o começo da história comum aos dois que ele sempre soube que ia ser assim um dia, mais tarde ou mais cedo.

Ele só não soube foi antecipar a vinda desse aziago dia. 

domingo, 18 de dezembro de 2011

• Hope anlagt af visdom*

Måske skulle jeg hellere havde været født nordiske stedet for at blive sydeuropæiske...

For jeg er forført, ikke sjældent, at livet filosofier, at nogle nordlige kloge mænd har produceret. Mest dem landsmænd af Hans Christian Andersen - som i øvrigt havde den gode smag at have levet i Sintra, min personlige Eden og fødestedet for min datter - ligesom Søren Aabye Kierkegaard.
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* Hope brought by wisdom, in danish.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

• 美好的日子*

当美好的日子即将流过,
你沉思着独自静坐;
钟声随着快乐的颂歌响起,
为了这美好的日子带来的快乐;
当太阳带着红霞西沉,
亲爱的朋友你又得奔波,
你可曾想到对于一颗疲惫的心,
这美好日子的结束会意味着什么?
啊,这是一个美好日子的终点,
也是一次旅行的终结;
但它留下了强烈的思念,
还有那亲切而真诚的祝愿。
这美好日子的回忆,
永不消褪,永远鲜艳。
们在这美好日子的终点,
看到了朋友的神圣的心田。
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* "A Perfect Day", by Julie, nickname of the alleged author of this marvelous text, a beautiful lady from Guangzhou, China. The english translation of the text can be read by clicking here. But if you want, you can ask me it, by email message.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

• Ego te requiro*

Quando há um pobre coração que sabe que,
a bem daquele(a) que ama,
tem que se quedar em silêncio,
evitando bater mais forte,
mas que sofre de contínuos impulsos contrários,
que padece da ânsia de querer gritar,
ou ao menos sussurrar, a toda a hora,
um "sinto a tua falta"… 
...e ainda assim resiste à dor dessa perda,
calado…

…dizei-me, ó gentes: haverá morada mais certa 
para o verdadeiro amor do que este coração?

E será este capaz de amar alguma vez mais, de novo?
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* Sinto a tua falta, em latim.

sábado, 3 de dezembro de 2011

• Sorry, but nope... I can't do it!...

There has been more than one person shouting at me sentences like:

"Stop acting as a child!"
"Try and grow up!"

…and I feel unable to follow their advices! Mostly because when I have received these messages, the senders seemed to me more childish even than I was at the moment. And also because I am an eternal child. I hope I won't cease to be one. I don't want it. 

Children teach me a lot more than adults will ever do. My most valuable master has been, ever since she was born… my lovely daughter. The greatest blessing the gods have put in my existence.

With no one else but her I can better corroborate the words of wisdom spoken by this bon-vivant of Oscar Wilde, shown at the top of this puerile piece of text.

domingo, 27 de novembro de 2011

• An essay on self-knowledge

I'm a lonesome wolf. And I'm tired of being lonesome for more than a year, now. But I'm not willing to cease to be lonesome by all means. In any way. It has to be with the best there is. In this whole world.

This is what I think of myself when I feel that I'm still a young guy, in my early fifties…

Other times, I feel I am just a Don Quixote. More pathetic even than the original one. Because my main goal is not the noble principle of the knights of the round table. To fight all evils of our modern times. It's more to find my Dulcinea... 

I had one. About ten years ago, she conquered my heart by telling that she, as a child, used to walk alone into the heart of mother nature, in the form of spring fields full of daisies. And made necklaces with these flowers, to adorn herself with those. As if she was a young fairy, with a shy little vanity in her own.

But I lost her. Most certain, irreversibly. With her, I lost as well my shield against the ugliness of today's world. So, I'm again in my perhaps foolish quest journey to find another one.

I have stepped into the discovery of the words of this new Dulcinea, a few days ago. Her perfect siren song captivated me… Here's how her lovely soul sounds:

"I love the sunrise and sunset. I see things you don’t. 
I love thunderstorms, and listening to puppies slurp up water. 
I love cherry lifesavers and french fries. I giggle a lot. 
Dogs chasing butterflies make me smile. 
Black and white pictures make me relax. 
Cooking gives me pleasure. I can't live without pasta. 
My favorite day of the year is when I can finally pick 
and eat ripe blackberries off the bush. 
I hate saying goodbye. And yes... my eyes will water. 
Just be real and loving."

My last Dulcinea left me and she sees me as an old man now. My self pride, naturally, forces me to try to deny her opinion. But if she is right, after all?… 

I'm not mentally ready to settle down. I deeply feel I'm still young. Even younger in mind, after we have split in two the path of our lives.

But that's me. I'm a dreamer. And I don't have anyone to help me put my feet back on the ground. Not even my personal Sancho Panza.

Eventually, I am the most lonesome wolf in this whole world!...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

• Non siamo soli*

Numa das planícies desertas do Novo México foi um dia construído um conjunto de 27 antenas de rádio parabólicas, dispostas no terreno em forma de Y, a que os seus insignes responsáveis chamaram VLA, Very Large Array. Cujo fim principal é o de perscutar e interpretar eventuais sinais radiológicos emitidos por seres ou formas de vida inteligentes extraterrestres. De modo a angariar provas científicas da sua existência.

Uma mui nobre missão e objectivo!…

Eu tenho outros objectivos mais modestos: procurar formas de vida inteligentes aqui na Terra mesmo. E, surpreendentemente, não me tenho dado nada mal…

Não tenho antenas parabólicas às dúzias, mas com um MacBook, ligação à net de dois ou três ISP's ao meu livre arbítrio, diversos browsers instalados e contas em múltiplos sites de redes sociais - e já agora, também estes meus blogs - têm permitido que cheguem até mim alguns seres humanos extraordinários. De todas as partes do globo terrestre. Fantástico…

Para quem levou um rude golpe a relembrar o que Einstein teorizou sobre a estupidez humana… Parece que as divindades lá vão velando para que eu não esmoreça de todo na minha fé nos meus semelhantes alegadamente racionais.

Talvez eu seja demasiado exigente. Ou cuidasse que encontrar os meus pares, aqueles com quem o convívio são, prazeiroso e estimulante fosse possível, fosse tarefa árdua. Do tipo da agulha no palheiro. O meu facebook têm-me, no entanto, surpreendido pela positiva diariamente.

Um dia destes, esta paródia de ser um candidato a presidente das Nações Unidas ainda se torna uma realidade à escala global. Tenho de me pôr a pau… Ou então começar a fazer o meu marketing social mesmo a sério. E ver no que isto vai dar.
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* Alusão a nonsiamosoli.com, um interessante portal internet de informação sobre ovnilogia e de um grupo de estudos internacional da mesma cativante temática.

Para escutar a banda sonora original (ost) deste post, clicar aqui. Um videoclip de um dueto em que a voz feminina é da filha caçula de uma das minhas mais queridas amigas do face... Se quiserem adivinhar qual, é só irem bisbilhotar lá, que eu deixo e até gosto. E já agora, comentai também nos meus blogs, ó gentes!…