terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

• Paraíso perdido


Voltaste. E a nós queres.
Imóvel logo me quedo
Com a tua cega mirada.
Sei que o tempo vai parar.
Vamos olvidar o mundo
Nesta nuvem partilhada.

Das casas botões desalojas.
Enquanto a face tua afago
Na tez do meu peito dedilhas.
Os arfares trocados são.
Pontes são relançadas
Entre nossas duas ilhas.

Os lábios actuam em dupla.
Cerram fileiras os corpos
Auxiliados pelos braços.
Extasiadas as almas vão.
Os olhos estão exclamando
Que perdoam erros crassos.

Ao silêncio nos entregamos.
As palavras vãs se tornaram
Perante este nosso carinho. 
Ofertas-me todo o teu ser.
E rendido ao teu convite
Adentro esse cálido ninho.

Não somos mais que um só.
Já o pensamento nos une
Tal como a carne o faz.
Ser teu não posso dispensar.
Assim ao teu lado deitado 
É lá que está minha paz.

Porque não me procuraste?
Como podes existir sem isto,
Deixando a vida passar?…
Este sonho, se não for real,
Em demanda de tal Éden,
Só me resta por aí errar.


Giuseppe Pietrini               .

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

• Where are you?…

Where are you?… I thought I had found you, once or twice. But no. Because the ones I thought they could well be you have ceased to love me the way I am. So, they couldn't be you... Right?... Right???... Am I seeing things clear? Or rather not, once more? 

Where are you?… Why are you so late to show up? Will you ever do it? Have I already seen you? I haven't payed you the attention you deserved, surely... Will we ever meet again? Or for the first time? Will we live together one day? For the rest of our lives?

Where are you?… Do you even exist in this world, my love? And in these times were living now, as well? I feel so damn lost without you...

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

• Le chant des sinères

Une sirène bretonne, déguisé
dans sa forme entièrement humaine
"On n'a rien perdu", dit-elle avec la sincérité que la mauvaise humeur dégage.

Lorsque nous sentons qu'on n'a rien perdu, je dis, c'est parce que nous croyons qu'on n'a rien eu. Pour elle, ça sera bien. Pour moi, il n'est pas. J'ai perdu. J'ai perdu l'étreinte. Le sourire. Le baiser. Le lit. L'affection. La compagnie. Soit, tout.

Le chant des sirènes est toujours quelque chose concocté... Un homme devient ivre vers le haut avec ça. Il tombe amoureux facilement, même par inadvertance. Oublie que la sirène est un être volage. Et quand vous moins y attendez, elle s'évapore.

La sirène ne veut pas les chaînes en soi, ni qu'elles sont les plus douces. Le magnétisme de la mer survient, plus tôt ou plus tard. Car la mer représente la liberté. La renonciation de la remise à quelqu'un d'autre. Que la sirène ne peut pas supporter éternellement.

Tu m'as appris à aimer, petite sirène et sorcière. Et si tu m'as tellement essayé d'avertir! ... "Regardes bien, que l'amour est un malheur!...". Mais quoi! Comment allais-je t'entendre, si j'étais reposé dans tes bras tout mon être, même l'âme. Tu savais bien qu'il y aurait une fin qui devait venir. Mais j'étais en plein rêvé et sans aucun envie de me réveiller.

L'ordre est venu et tu as eu la décence de la déclarer unilatéralement. Tu ne pouvais pas me laisser à jamais dans l'environnement onirique. T'as bien fait. Et moi, imbécile, que fais-je?... J'essaie de trouver une autre sirène. Irrationnelment. Et oui.

Celle-ci fut, peu à peu, faisant de façon que je puisses t'oublier. Pendant des années à fil. Afin de réclamer sa place exclusive dans mon coeur. Et à la fin elle a réussi. Mais il y a toujours un effet secondaire dans les processus de durcissement. Le souvenir de toi, maintenant disparu, est remplacé par un autre mémoire de l'expérience de vivre avec elle. Due à la grande générosité avec laquelle elle s'est donné à moi.

Je l'ai perdu. Et elle ne se sent pas qu'elle m'a perdu à moi. Et je ne le manque pas. Parce que peut-être elle a toujours su qu'elle ne m'a jamais eu.

Maintenant, je ne veux pas avoir. Ne pas revivre la douleur de la perte. Je deviens lâche. Et il n'y a qu'une seule chose que pourrais bien me réveiller le courage. Elle vouloir m'avoir à nouveau, même si ce soit pour un seul jour.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

• A poesia e o nosso povo

Anteontem fui surpreendido e tocado pela invulgar beleza da sabedoria popular de António Aleixo.

Um ser humano raro, que faz-me o favor de ser uma amiga minha no facebook, partilhou no seu mural, como soe fazer quotidianamente, um pequeno texto. No caso uma quadra deste poeta algumas vezes negligentemente ignorado. Que reza assim:

"Não te beijo e tenho ensejo 
de um beijo te roubar.
O beijo mata o desejo
e eu quero-te desejar."

A leitura destas linhas tão simples porém tão sublimes ecoou na minha memória durante a jornada inteira. Ó quadra tão sagaz e vera, saída da mente de um homem genuino do povo que, dizem, nem soube bem as letras enquanto viveu.

Pela grandeza da sua humilde alma, de cada vez que eram por mim reavivadas estas palavras de ouro em surdina, em meio às gentes da urbe de Ulisses com quem me cruzava, uma sacana duma lágrima teimosa escapava-se-me.

Quem estiver a ler esta confissão, cuidará que caminho pela vida tristemente. E no entanto sou feliz.

Feliz porque ainda choro com estas coisas. Porque ainda sou muito sensível ao belo imortalizado por quem me ensina tanto. Porque ainda não estou empedernido. E porque isto me basta para ser feliz.

Por ser assim como sou, e sustentado ultimamente até por uma tranquilidade inbalável, creio que isto faz de mim também um ser belo e digno de ser amado. E ainda hei-de sê-lo. Ou sou-o já hoje, de facto.

Recebo muito carinho, que me chega nas horas mais inesperadas, bem como nas mais necessitadas, de várias proveniências. De umas encantadoras amizades, que fui ganhando neste último ano de uma repentina solidão.

Ah, mas quem dera voltar um dia a beijar! 

A beijar áquela a quem o beijo jamais matou o desejo, antes o reforça. Beijar, agora que quero mesmo merecer o beijo seu.

Ou, se for esse o meu fado, e assim os deuses designarem, a não beijar mas abraçar esse meio mundo que me busca. E ao buscar-me, me mantém vivo e radiante. E me faz ser bom.
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O poeta António Aleixo nasceu no dia 18 de Fevereiro de 1899, em Vila Real de Santo António, filho de José Fernandes Aleixo, tecelão de profissão, e de Isabel Maria Casimiro, doméstica, naturais seu pai de Loulé e sua mãe de Vila Real de Santo António.

Acessoriamente a ser um poeta popular, da história da sua vida de homem simples, ficou sobretudo conhecido António Aleixo por ter sido cauteleiro e vendedor de gravatas nas ruas de Loulé, cidade onde viveu a maior parte dos seus anos. Diz-se que também foi guardador de rebanhos, bem como cantor popular de feira em feira. Menos referidos sobre ele foram os factos de ter sido polícia, em Faro, e servente de pedreiro, emigrado em França.

Depois de já ter aqui neste blog mencionado um outro vate, Fernando Caldeira, agora com este lembrar a António Aleixo, figura que estará no espectro social bem apartado do primeiro, que pensar senão que este é de facto um país onde todos temos a poesia no nosso código genético comum?...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

• Harém ou alcova

Sometimes it's good to be the king, costumam dizer os britânicos…

E poderia também ser esse o desabafo de um qualquer sultão dessa longínqua Istanbul. Aquando se encontrasse refugiado de agruras de calores estivais com abanicos de penugem de avestruz, agitados por miríades das suas odaliscas, dispostas em seu redor. Dolcíssimas fêmeas, qual sereias encantadas, tão abnegadamente devotadas as vidas delas a sua magnífica alteza.

Alguns de nós, homens, se não quiçá todos, já terão sonhado estar na pele desse sortudo sultão, quando pela primeira vez se tiverem vistos confrontados com o conhecimento dessa realidade. De que existiram em tempos que já lá vão no próximo Oriente esses viris paraísos terrestres a que os otomanos chamavam de haréns.

Eu também já terei querido ter esses sonhos… Mal avisado andava. Hoje vejo mais além.

E sei que o pobre diabo desse sultão era bem capaz de experimentar amargos momentos de uma profunda solidão. Mesmo que mergulhado num cálido banho de sereníssima luxúria e carinhos mil, que uma dúzia ao quadrado de jovens e esbeltas mulheres de seios fartos e generosamente desnudos em sua deliciosa alvura lhe dedicassem.

Isto porque porventura uma só dama lhe fizesse sentir no espírito e na carne a dor teimosamente persistente da sua falta. Aquela a quem sabia que de tudo podia contar a ela da sua alma profunda. No mais recôndito dos aposentos do seu palácio. Onde coubessem só os dois. 

Ele e a sua favorita. A única que lhe importa.

Naquela simples alcova, a mais despojada de luxos, reduzidos a banalidades em face da divina felicidade recebida no encontro das duas caras-metade.

É isto o que eu hoje sei. Ao fim destes anos todos em que a minha vã masculinidade fui andando a pôr infantilmente à prova. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

• O amor mais puro

Hoje gostaria de lembrar neste meu blog um poeta pouco conhecido da nossa nobre língua portuguesa.

Porque o vejo como um singular gentleman. Que passei a apreciar através da leitura do seu poema que reproduzirei em baixo, que consta que algum desdém literário terá provocado ao seu ilustre contemporâneo Camilo Castello Branco. Algo Incompreendidamente, direi eu...

Creio ter encontrado neste poema a expressão do amor mais puro que haver pode, dum amante extraordinário que de forma tão sublime idolatrava a beleza feminina. Com mal disfarçada vaidade desejaria me poder rever também nas suas galantes palavras.

Como se poderá bem adivinhar, os mesmos dizeres impregnados de paixão eu dedicaria a alguém muito especial no meu coração e na minha biografia por escrever.

Uns pézinhos

Cismo, cismo e não sei inda 
como tu, sendo tão linda 
e tão vaidosa de o ser, 
tens ai no chão pousados 
os teus pézinhos coitados!
aí como uns pés quaisquer!...

Eu não sei, não compreendo, 
quando te vejo correndo, 
mesmo que vás devagar, 
como uns pés tão pequeninos, 
tão delicados, tão finos, 
assim te podem levar!

Faz-me pena, coitaditos! 
tão galantes, tão bonitos, 
vê-los assim pelo pó!... 
Muita pena!... ainda ao menos 
se não fossem tão pequenos... 
mas assim faz mesmo dó!...

Ainda se toda a estrada 
te fosse ao menos juncada 
de rosmaninho e alecrim, 
como a santa da capela 
quando sai no andor, mas ela 
nunca teve uns pés assim!...

Olha! às vezes endoideço 
quando tos vejo, e apeteço 
duas semanas... um mês... 
dois meses... nem sei eu quanto, 
ser um sapato, contanto 
que tu me tragas nos pés!...

Às vezes, quando à tardinha 
tu vais cismando sozinha 
por sobre a relva ao de leve,
suspira cada folhita 
d’inveja a mais pequenita 
que o teu pézinho conteve!

E se páras distraída 
junto d’alva margarida, 
ou malmequer, ou bonina, 
faz gosto ver o jeitinho 
com que a flor torce o pézinho 
e sobre um dos teus s’inclina!

Que amor! que amor, ó meu Deus! 
e não é por serem teus
que os amo tanto, não é... 
Esse teu pé pequenino 
foi obra dalgum destino 
que eu tenha de amar um pé.

Mais ai! são tão desdenhosos! 
mostram-se assim descuidosos, 
mas eu conheço, eu bem sei... 
mil beijos, que me rejeitam, 
nem por tapete os aceitam, 
pobre de mim, que os sonhei!

E verás que dentro em pouco 
nem sei da cabeça, louco 
por ele... e seus desdéns!... 
Que tu também, coitaditos! 
tens uns pés tão pequenitos 
que por um triz que os não tens.

Esconde-me esses traidores, 
esconde-mos. Sedutores!... 
nem são pés, são um feitiço!... 
Esconde-me esses ingratos, 
nem as pontas dos sapatos 
quero ver-lhes, antes isso.

Que hei-de eu fazer, quando os vejo, 
a tanto faminto beijo
que tos quisera calçar? 
que nem os peixes no rio 
se juntam tanto a fio 
na veia d’água a brincar?

S’inda fosse a tua meia 
destes peixes rede cheia 
quando a fosses vestir, 
e em cada malha embrulhado 
ficasse bem emalhado 
ao menos um sem cair!

Ou, ao menos, se as pedrinhas 
onde os pões quando caminhas 
fossem todos beijos meus, 
que, nem indo a pé descalço, 
pusesses um pé em falso... 
mas assim!... valha-me Deus!

Olha, a dizer-te a verdade, 
eu acho que é crueldade 
deixá-los ir pelo chão... 
Se queres, poupa-lhes passos, 
levo-te a ti num dos braços 
e eles ambos noutra mão.

Fernando Caldeira
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Fernando Caldeira nasceu no palácio da Borralha, em Águeda, a 7 de Novembro de 1841 e morreu, relativamente novo, em 2 de Abril de 1894. Foi o segundo filho do primeiro Visconde da Borralha, Francisco Caldeira Leitão Pinto de Albuquerque de Brito Moniz, par do reino, do Conselho de D. Maria II e moço fidalgo. Foi sua mãe a Sr.ª D. Inês de Vera Geraldes de Melo Sampaio e Bourbon.

Por tradição de família, Fernando Caldeira cursou Direito e foi bacharel pela Universidade de Coimbra em 1861. Revelador da personalidade do poeta é o testemunho do Dr. Mateus Pereira Pinto, médico da família e amigo íntimo:

“Conhecê-lo foi o mesmo que admirá-lo e ficar preso do irresistível poder de sedução que dele dimanava. Debaixo deste aspecto foi um conquistador. Verdadeira alma de poeta… (…) O seu olhar sonhador e apagado, indicava-nos que o seu espírito deixava o seu invólucro material para pairar nas regiões etéreas do belo, mas tinha também cintilações e fulgor, que revelava um cérebro potente e produtivo.”

Fernando Caldeira, além de poeta, foi sobretudo dramaturgo. Sendo que a sua primeira peça teatral, “O Sapatinho de Setim”, estreou no Teatro da Trindade em Lisboa, em 1876. Curioso, este título... Que me leva a comparar este vate a esse outro vulto bem mais cosmopolita que foi o gaulês Retif de la Bretonne.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

• Good vibrations

Ζω σε ένα παλάτι που ονομάζεται "ευτυχία". Οδηγώ μια λιμουζίνα αυτοκίνητο, το εμπορικό σήμα του είναι "καλή τύχη". Νιώθω υπέροχα, όπως και αν είχα την ευλογία των θεών του Ολύμπου.

Το μέλλον πρέπει να είναι λαμπρό, αφού το υπέροχο μέρες είμαι έχοντας αυτή την εβδομάδα.

domingo, 8 de janeiro de 2012

• 고독*

“Porque será que estamos condenados a ser assim tão solitários? Qual a razão de tudo isto? Há tanta gente, tanta gente neste mundo, todos à espera de qualquer coisa uns dos outros e, contudo, todos irremediavelmente afastados. Porquê? Continuará a Terra a girar unicamente para alimentar a solidão dos homens?” 
Haruki Murakami, in "Sputnik Sweetheart"** 

É assaz curioso como, bem antes de ler este livro, já tinha expresso neste blog em tempos um pensamento que se me afigura deveras semelhante na sua essência a isto que Haruki Murakami escreveu. Terá sido então neste post...

E que ainda uma outra alma neste mundo dos deuses tenha também achado relevante esta porção de texto. Porque foi partilhado neste site.

Assombroso, digo eu, cá com o meu fecho éclar… Caramba! Que enorme fatalidade esta.
E que suave consolo, ao mesmo tempo, também... Mi sembra che non siamo soli ad essere soli, dunque.
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* Loneliness, em coreano. Piscadela de olho a Miu, personagem singela deste romance de Murakami.

** No original em japonés, "スプートニクの恋人 "; "Sputnik meu amor" na edição portuguesa.

P.S.: Obrigado pela oferta deste livro, filhota. O pai ama-te muito.

sábado, 7 de janeiro de 2012

• Still unchecked...


And this since last year's - 2011, that is - beginning... I mean, in a permanent way. Forever and ever. And not just someone. But the ONE. Who, of course, will have to be the special one. As special as I am as well, at the least.

Many thanks, although, to the few gentle souls that brought me joy to the heart and hope in the future, in a transitory fashion, all along these last hard twelve months. You made me feel I'm not so alone in this world, after all.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

• Krankzinnigheid*

Sinto que estou lentamente a perder a razão. Que esta se me esvai por todos os poros. Deixando o vazio ser preenchido a conta-gotas por um estado mental de loucura, por enquanto ainda sob controlo.

Com a auto-consciência que me vai restando, ainda me vou apercebendo disso. Sei que estou a deixar fugir o juizo porque o vazio está a ser criado á minha volta, desde há anos. Estou a ficar cada vez mais só. Devido às minhas más escolhas nesta vida.

No início, fui um deus para aquela que ainda hoje julgo amar, por uns longos 9 anos, e hoje pouco ou nada lhe importo. Muito embora eu viva na ilusão de que seremos os melhores amigos um do outro que haver pode. 

Na década de setenta do século passado, a minha ávida atenção de pré-adolescente foi captada por um cartaz nas ruas, que tinha tão-só, sobre um macabro fundo negro mate, uma caveira humana e os parcos dizeres "droga, loucura, morte".

A recordação dessa mensagem dura e forte conduziu minha mente a questionar-se. Ao quê serei eu adicto. Qual será a causa da minha insanidade. E creio que descobri.

Sou adicto a estar apaixonado. Sou dependente de abraços e beijos. Esse hábito adquirido de todos os dias ter alguém para envolver com meus braços e olhar nos olhos dela provoca-me uma dor intensa com a sua actual carência absoluta.

Maldigo algumas vezes essa venal herança deste meu último findo relacionamento. Que dos outros anteriores não se me infiltrou nas entranhas com tal vigor. 

E uma vez que a esperança daquela união ter uma segunda vida é vã, pergunto-me onde encontrar alguém com a mesma carência que me foi injectada na alma e por quem eu possa sentir algo que em amor possa redundar? O horizonte afigura-se-me vazio.

Mas tal como Boethius escreveu a sua obra "Consolatio Philosophiae" no cárcere, com as dores da carência da liberdade tão amada - obra que tenho de passar a ler, uma vez que até a possuo -, assim eu também permito que esta tristeza que me invade e me vai tornando mais louco um pouco, suavemente, seja o lume da criatividade que vai fazendo com as minhas palavras jorrem e eu as transcreva para os meus blogs, não tendo este aqui o exclusivo da expressão escrita de minhas penas.

Darei a volta por cima algum dia? Antes de ser demasiado tarde?
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* Loucura, na língua neerlandesa, vulgo holandês.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

• Panloob na kapayapaan*

"Freedom from desire leads to inner peace"
Lao Tzu

So, we have to get rid from desire… That's more easy to say than to put it in practice in our lifes, nowadays. Buddha also proclaimed that "Desire is the root cause of all evil". Trouble is mankind creates every day new objects of desire. Or immaterial concepts which are hard not to want. Like inner peace itself. 

I'm not making any sense, not even to myself, anymore… This inner peace thing seems to me, personally, an utopia. Will never obtain it. I'm far too much insane for it to be a desire of mine. I surely must be cursed.
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* Inner peace, in tagalog, one of the major languages spoken in the Philippines, often called even as filipino.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

• La perte de l'innocence

Que ia solitária para o meio dos campos primaveris cobertos de malmequeres. E que lá ficava tardes inteiras a fazer colares com as abundantes flores. Alimentando a sua pequena vaidade própria ornamentando-se com essas cadeias florais. 

Isto ela relatou a ele sobre si mesma. E o cativou com o imaginá-la lá, sereníssima, nesses prados ao redor da sua bucólica aldeia.

Nada podia ilustrar melhor aquele que foi o melhor trunfo dela no jogo de sedução a que se entregaram. A sua inocência pura. Conservada nesse cristalino estado até às duas dúzias de rotações da nossa terra em volta do astro-rei. Cujos generosos raios eram os responsáveis pela proliferação daqueles pequenos sóis vegetais, matéria-prima das jóias que manufacturava.

A campestre solidão dela era voluntária. Porque a melancolia da alma que sempre carregou desde a nascença exigia esse retiro. Para se expressar livremente, sem censura social alheia.

De tanto mirar o horizonte ou os pássaros livres, ela começou a sentir-se confinada aos limites do espaço até onde os seus parcos passos a levavam, que ficavam bem aquém de até onde os seus tristonhos olhos negros alcançavam.

E passou a sonhar em demandar a cidade grande. Á beira da qual ele habitava. E se ela já vinha ambicionando dar esse passo grande, assim que ele e ela se cruzaram nesta vida, ele para ela foi então também como um catalizador desse desejo.

Outro objectivo ela tinha, o de cantar. Porque com uma belíssima voz os deuses a apetrecharam. E no boémio meio artístico quis se embrenhar. Para nele medrar. Mais a contento de quem a trouxe ao mundo do que a seu próprio.

Para que as gentes a ouvissem e lhe retorquissem seus devidos aplausos, ela os dotes canoros libertou. Assim como se acendesse uma vela que até aí tinha permanecido com toda a sua cera intacta.

Essa onírica vela que a sua luz interior difundiu era, metaforicamente, a sua inocência. E consumiu-se. E o oxigénio de que essa combustão carecia foi rico. 

A inocência pode ser perdida até no meio ambiente de um grupo coral de canto gregoriano. Mas foi logo a fogueira das vaidades dos egos mais sombrios daqueles que fazem da noite o seu dia que a tinha de deslumbrar. Lá onde se destila o que há de mais baixa valia na alma lusitana. As casas de fado mais escuras das ruelas mais estreitas e menos limpas desta maldita urbe, Lisboa.

Essa Lisboa que era a cidade berço dele. Cujo ar se tornou turvo. Porque a cidade e as vis gentes que esta acolhe ao luar a roubaram dele. Mas no fundo, desde o começo da história comum aos dois que ele sempre soube que ia ser assim um dia, mais tarde ou mais cedo.

Ele só não soube foi antecipar a vinda desse aziago dia. 

domingo, 18 de dezembro de 2011

• Hope anlagt af visdom*

Måske skulle jeg hellere havde været født nordiske stedet for at blive sydeuropæiske...

For jeg er forført, ikke sjældent, at livet filosofier, at nogle nordlige kloge mænd har produceret. Mest dem landsmænd af Hans Christian Andersen - som i øvrigt havde den gode smag at have levet i Sintra, min personlige Eden og fødestedet for min datter - ligesom Søren Aabye Kierkegaard.
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* Hope brought by wisdom, in danish.