quinta-feira, 21 de abril de 2011

• Megalomanias...

Eu sou uma mente em permanente desassossego. Como disse recentemente a uma nova pessoa amiga, eu sou a "raínha" das mentes sem limites. Sou um humano mortal, vulgar de Lineu, sem evidenciar grandes factos que me façam sobressaír do resto deste rebanho a que todos nós pertencemos, mas ao mesmo tempo sou incuravelmente megalómano. Por isso criei este singular blog.

Eis a minha última e desmedida alucinação: a visão dos meus próprios olhos.

No dia 2 de Outubro do ano passado, a 27 dias de perfazer os meus 50 anos, alguém que me é muito caro captou a essência de minha  alma numa foto de rosto onde sempre me impressionou a expressão do meu olhar nela.

"Que estranho!..." - soltei este pensamento falando com os meus botões - "Nunca tive este olhar assim, desde que me recordo de me entreter a mirar-me num espelho, matinalmente.". Os meus próprios olhos intrigavam-me. Não me eram tão familiares como soíam. Jamais os tinha visto com este aspecto. E queriam recordar-me de algo que não vislumbrava ainda de início o que seria, quando descarreguei aquela foto para o meu Mac.

Não me alonguei em congeminações nessa altura. Deixei rolar. Até que há pouco tempo, no dia 8 de Março último, travei conhecimento com um par de olhos verdes, cheios de justificada vaidade em si mesmos. E voltei a reflectir sobre os meus próprios olhos, de novo. À laia de os querer comparar com os de esmeralda. E com estes ver se podia competir em esbeltez.

É então que, devido a esse divinal encontro, recomeço a escavar na minha memória visual. E fez-se luz. Os meus olhos na foto de cima poderiam fazer lembrar, julguei a princípio, aqueles hieróglifos do antigo Egipto que pretendiam representar graficamente os orgãos humanos do sentido da visão. Mas não. Não era bem isso...

Na costumeira pesquisa de imagens no Google, sou levado a encontrar o símbolo que queria gritantemente saltar á minha memória. Aquele que está reproduzido abaixo do meu olhar em cima. Um símbolo largamente usado como decoração gráfica das stupas, no Nepal, como esta mostrada em baixo.

Essas estruturas de carácter religioso estão largamente disseminadas pela paisagem deste pequeno país. Na capital Kathmandu e pelas suas muitas e altas montanhas. E o símbolo em causa pretende representar os olhos do Buddha.

Acresce a isto tudo que a minha costela de ateu mas espiritual tinha andado a ler empolgadamente nesse verão índio um livro dum escritor francês, José Frèches, "Eu, Buddha", em que este romanceava de forma sublime a vida terrena de Siddartha Gautama de Kapilavastu, o Desperto.

A composição gráfica que em cima vêem, resolvi torná-la na foto de perfil da minha página no facebook. Página essa que inaugurei com o intuito de divulgar este blog. E onde fazia tenções de sempre manter como foto de perfil, justamente, a composição que é o cabeçalho deste blog. Hoje entendi mudar essa minha norma.

Ajudem-me, caros e raros leitores destes insanos textos. Mostrem-me a luz, que eu por vezes tenho lampejos de lucidez também. Mas por outra, há momentos em que me julgo a roçar o patético.

Estarei a alucinar demais?...

4 comentários:

Letitia Morgan disse...

Por favor não mate o patinho! rs

É curioso, nunca nos vimos como realmente somos. E os olhos, esses tomam as formas da nossa alma (essência, mente, ou seja lá o que lhe chamemos). Nunca são estáticos.

Abs.

Giuseppe Pietrini disse...

Bom, se é assim, cara Laetitia, fico mais descansado... é que já estava a pensar que houve alguma entidade que desceu em mim. E só por si, porque mo pede com tanto afinco, por hoje o patinho continua a viver. Mas tem de voltar aqui mais vezes, por favor.. or else... I think you got the picture. Beijim. Giuseppe

Luciana Izabel disse...

Sonhar, esse sonho impossível... olhos sonhadores, inquietos, buscando dentro de nós o que não conseguimos ou não queremos ver.... Olhos profundos que penetram na alma, e te mostram a quem se interessar em conhecer......

Eu não poderia deixar o patinho partir......rs Beijinhos

Giuseppe Pietrini disse...

Hum...

Nem sei o que dizer... talvez só um "obrigado" por me permitir manter o patinho vivo mais um pouco, cara Luciana... É isso.

Beijim! ;-)
Giuseppe