quarta-feira, 3 de agosto de 2011

• Kαλύτερους φίλους μας *

Conta a lenda que Ulisses - o herói grego que deu nome a esta capital de uma nação que é Lisboa -, no fim da sua Odisseia, ao regressar à sua ilha de Ítaca, mais de uma dezena de anos depois de lá ter partido, veio vestido de andrajos até aos seus aposentos para não ser imediatamente reconhecido. Acto falhado, pois o seu fiel galgo Argos, mesmo cego e fraco pela idade avançada, teve faro suficiente para começar a abanar vertiginosamente sua cauda.

Quantas vezes não ouvimos já dizer a alguém que, quanto mais conhece os homens, mais gosta dos animais?...

E porquê, já se perguntaram alguma vez? Eu conto-vos então a minha versão da verdade: porque eles perdoam-nos tudo.

Os bichos sabem bem que aqueles que nós amamos são os mesmos que têm as ferramentas necessárias para partir os nossos corações. Como se proclama na língua de Shakespeare na imagem acima que ilustra este post.

O gatinho aí mostrado na foto ainda nem talvez esteja a sofrer o embate da ingratidão do seu amigo humano. E a expressão nos seus olhitos já estão a indicar que o perdoam.

E assim é que temos de ser, como os animais. Perdoar, perdoar sempre. 

É até uma atitude auto-ecológica correctíssima. Porque se não perdoamos, guardamos rancores. E esses rancores são ácidos que nos corroem por dentro. São anticorpos da alma. Há que erradicá-los a todo custo.
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* Kaliterous filous mas, os nossos melhores amigos, em grego. 

Nota: Estamos em Agosto. Para quem ainda não tenha notado... Vou inaugurar neste mês de férias uma série de posts light, fresquinhos e, sobretudo, curtos q.b.

4 comentários:

Sofia disse...

A imagem que ilustra o meu post também está no meu facebook pessoal e a legenda é mesmo essa "porque quanto mais conheço pessoas, mais gosto de animais..."

Kristy ઇઉ disse...

Não é só porque nos perdoam... é porque estão sempre lá e não esperam nada em troca. Porque nos são fieis e nos amam incondicionalmente... e ao mesmo tempo é tão fácil fazê-los felizes :)
Adoro animais, o meu melhor amigo de sempre chamava-se Faraó e era um Dogue Alemão.
Lindo post, Parabéns! :)

Giuseppe Pietrini disse...

Sofia, eu já não me lembro a quem roubei esta foto deste gatinho, cuja expressão me recorda muito aquele do Shrek, que o Antonio Banderas fazia a voz. Se foi a ti que o surrupiei, perdoas-me?... ;-)

Giuseppe Pietrini disse...

Bigado, Kristy ઇઉ...

Penso tal qual como tu. Sobretudo a parte do ser muito fácil fazê-los felizes. Eu tive uma parelha uma vez, constituída por uma ovelha enorme e uma cadela husky siberiana, que dormiam coladas uma à outra numa casinha de cachorro alargada para o efeito. A amizade entre aqueles dois animais, que eram para ser um predador do outro na natureza - a cadela era praticamente uma loba - era hilariante e ternurenta, á vez...